REVISÃO 15/02/2026
BIOMAS BRASILEIROS
O conceito de bioma, de acordo com o IBGE,
refere-se a “um conjunto de vida vegetal e animal, constituído pelo agrupamento
de tipos de vegetação contíguos e que podem ser identificados a nível regional,
com condições de geologia e clima semelhantes e que, historicamente, sofreram
os mesmos processos de formação da paisagem, resultando em uma diversidade de
flora e fauna própria.” A origem desse termo remonta ao grego, no qual
"Bio" significa vida e "Oma" representa grupo ou massa.
Algumas fontes creditam a introdução desse conceito a Shelford, enquanto outras
atribuem sua criação a Clements.
O planeta abriga uma variedade
de biomas, cada um com suas próprias espécies distintas, às vezes até mesmo
exclusivas. Essas áreas naturais não apenas representam a diversidade de vida
em uma região, mas também desempenham um papel fundamental no fornecimento de
recursos essenciais para as comunidades locais. Portanto, é imperativo que
esses biomas sejam conservados e gerenciados de forma sustentável.
É evidente que as grandes
cidades estão se expandindo de forma desordenada, o desmatamento está em ascensão,
propriedades agrícolas e rurais estão avançando sobre áreas selvagens e os
recursos naturais dos biomas estão sendo explorados de maneira indiscriminada.
Embora o progresso seja uma necessidade, é crucial encontrar abordagens que
garantam sua sustentabilidade. Para promover a preservação, alguns locais são
legalmente protegidos e constituem as chamadas Unidades de Conservação.
No Brasil, existem seis
distintos biomas: a Amazônia, a Mata Atlântica, o Cerrado, a Caatinga, o Pampa
e o Pantanal. Esses biomas não são apenas recursos naturais valiosos em nosso
país, mas também se destacam como ambientes de riqueza natural significativa em
escala global.
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Amazônia
O bioma Amazônico abrange
uma vasta extensão de 4.196.943 km², o que representa mais de 40% do território
do Brasil. Este bioma é predominantemente caracterizado por uma densa floresta
tropical e se estende pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima,
além de abranger partes dos estados do Maranhão, Mato Grosso, Rondônia e
Tocantins.
A Amazônia abriga uma
variedade de ecossistemas distintos, incluindo florestas densas de terra firme,
florestas estacionais, florestas de igapós, terras alagadas, várzeas, savanas e
refúgios montanhosos. Apesar de ser o bioma mais bem conservado em nosso país,
aproximadamente 16% de sua extensão já sofreu degradação, o que representa mais
do que o dobro da área do estado de São Paulo.
O bioma enfrenta uma série
de desafios ambientais, incluindo o desmatamento, incêndios florestais, exploração
mineral, atividades agropecuárias e a prática de biopirataria. A combinação
dessas ações prejudiciais tem um impacto significativo nas mudanças climáticas
globais, contribuindo para o aquecimento global. A Amazônia é considerada um
importante regulador do clima global, atuando como um grande
"ar-condicionado" da atmosfera e abrigando a maior biodiversidade do
mundo.
As matas de terra firme são
aquelas que estão em regiões mais altas e por este motivo não são inundadas
pelos rios. Nelas estão árvores de grande porte, como a castanheira-do-pará e a
palmeira.
As matas de várzea
enfrentam inundações em determinadas épocas do ano. Nas áreas mais elevadas
dessas matas, o período de inundação é breve, e a vegetação assemelha-se à das
florestas de terra firme. Em contraste, nas regiões planas que permanecem
alagadas por períodos mais prolongados, a flora é semelhante à das matas de
igapó.
As matas de igapó estão
localizadas em terrenos mais baixos e, portanto, permanecem quase sempre
inundadas. Nessas áreas, a vegetação é de estatura reduzida, composta por
arbustos, cipós e musgos, exemplificando algumas das plantas típicas
encontradas nessas regiões. É nas florestas de igapó que se encontra a vitória-régia,
um dos ícones da Amazônia.
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Mata Atlântica
Esse
bioma originalmente ocupava uma extensão de 1.110.182 km², o que representava
15% do território nacional. No entanto, atualmente, apenas 12,5% da floresta
original subsiste.
A Mata
Atlântica é predominantemente composta por matas que se estendem ao longo da
costa litorânea, abrangendo desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do
Sul. Além disso, ela percorre os territórios dos estados do Espírito Santo, Rio
de Janeiro e Santa Catarina, bem como partes dos estados de Alagoas, Bahia, Goiás,
Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do
Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.
A Mata
Atlântica apresenta uma grande diversidade de formações e abriga um variado
conjunto de ecossistemas florestais, cada um com sua própria estrutura e
composição de espécies, adaptando-se às características climáticas da região
onde se encontra.
A
biodiversidade da Mata Atlântica é comparável à da Amazônia. Entre os animais
mais emblemáticos desse bioma estão o mico-leão-dourado, a onça-pintada, o
bicho-preguiça e a capivara.
Pouco
tempo após o período de descobrimento, uma parcela significativa da vegetação
da Mata Atlântica foi devastada devido à exploração descontrolada e intensiva
da floresta. O pau-brasil foi o principal alvo de extração e exportação pelos
exploradores que colonizaram a região, e atualmente, é considerado uma espécie
ameaçada de extinção. O primeiro acordo comercial para a exploração do pau-brasil
foi estabelecido em 1502, o que resultou na associação do nome do Brasil a essa
madeira avermelhada, conhecida por sua tonalidade semelhante às brasas. Outras
espécies de madeira de alto valor também foram exploradas até sua quase extinção
em algumas áreas, como a tapinhoã, sucupira, canela, canjarana, jacarandá,
araribá, pequi, jenipaparana, peroba, urucurana e vinhático.
Após o
desmatamento, surgiram plantações de cana-de-açúcar principalmente na região
Nordeste do Brasil. Na região sudeste, a cultura do café desempenhou um papel
central na devastação em larga escala da vegetação nativa. Na região sul, a
exploração predatória da Mata Atlântica teve um impacto devastador no
ecossistema da Floresta das Araucárias, devido ao valor comercial da madeira de
pinho obtida do pinheiro-do-paraná.
Os
ecossistemas que compõem o bioma da Mata Atlântica foram categorizados pelo
CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) em 1992 e incluem a Floresta Ombrófila
Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional
Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Manguezais e Restingas.
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Cerrado
O bioma Cerrado é o
segundo maior da América do Sul, ocupando uma extensão de 2.036.448 km²,
correspondente a mais de 22% do território brasileiro. É predominantemente
caracterizado por savanas. Este bioma engloba os estados de Goiás, Tocantins,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia,
Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além de pequenas áreas isoladas nos
estados do Amapá, Roraima e Amazonas.
No Cerrado, estão
localizadas as nascentes de três das maiores bacias hidrográficas da América do
Sul, incluindo as do Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata, o que, em certo
sentido, contribui para sua rica biodiversidade.
A paisagem do bioma
Cerrado é principalmente caracterizada por vastas áreas de savanas,
intercaladas por matas ciliares que seguem as margens dos rios, nas áreas mais
baixas.
As árvores que povoam esse
bioma apresentam características peculiares, com troncos retorcidos e uma casca
espessa, enquanto suas folhas tendem a ser grandes e rígidas. Muitas plantas
herbáceas do Cerrado desenvolvem órgãos subterrâneos para armazenar água e
nutrientes.
Os problemas mais comuns
enfrentados no Cerrado estão frequentemente relacionados ao fogo, que pode
ocorrer inicialmente como incêndios naturais e, posteriormente, ser provocado
pela ação humana.
No ecossistema do Cerrado,
já foram catalogadas milhares de espécies animais, o que o torna um dos biomas
mais biodiversos do planeta.
Entre as espécies da fauna
local, algumas das quais ameaçadas de extinção, destacam-se a anta, capivara,
onça-pintada, onça-parda, preá, paca, jaguatirica, cachorro-do-mato, calango, preguiça,
teiú, cateto, gambá, lontra, tatu-bola, tatu-canastra, tamanduá-bandeira, várias
espécies de cobras (incluindo cascavel, coral verdadeira e falsa, jararaca, cipó
e jiboia), queixada e guariba.
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Caatinga
O bioma da Caatinga abrange aproximadamente
11% do território nacional, ocupando uma área de 844.453 km². Caracterizado por
um clima semiárido, este bioma apresenta uma vegetação adaptada às condições de
seca, ao mesmo tempo em que mantém uma rica biodiversidade. A Caatinga se
estende por todo o estado do Ceará e se espalha por partes dos estados de
Alagoas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande
do Norte e Sergipe.
As características
proeminentes da vegetação na Caatinga compreendem solos rasos e pedregosos, árvores
de pequeno porte com troncos sinuosos e espinhos, além de folhas que caem
durante os períodos de seca (exceto por algumas espécies, como o juazeiro).
Entre as notáveis espécies que se destacam neste bioma, estão as bromélias, o
xique-xique, o mandacaru, a embiratanha, a acácia, o juazeiro, a macambira, a
maniçoba, o umbu e a mimosa.
A fauna da Caatinga exibe
uma notável diversidade, composta por 40 espécies de lagartos, 7 espécies de
anfisbenídeos (répteis escamados subterrâneos), 45 espécies de serpentes, 4 espécies
de quelônios, 1 espécie de crocodiliano, 44 anfíbios anuros e 1 espécie de
Gymnophiona.
Dentre os animais emblemáticos
desse bioma, destacam-se a ararinha-azul, o sapo-cururu, a onça-parda, o
macaco-prego, a asa-branca, a cotia, o tatu-bola, o preá, o tatu-peba, o
veado-catingueiro, o sagui-do-nordeste, o guigó-da-caatinga e o jacaré-de-papo-amarelo.
Os ecossistemas da
Caatinga estão significativamente transformados devido à substituição das espécies
vegetais nativas por cultivos agrícolas e pastagens. O desmatamento e as
queimadas continuam sendo práticas frequentes na preparação da terra para a
agricultura e pecuária, resultando na degradação da cobertura vegetal.
Segundo dados do IBGE,
aproximadamente 27 milhões de pessoas atualmente residem na região do Polígono
das Secas. Nessa área, a exploração econômica foi impulsionada pela extração de
madeira, monocultura do algodão e criação de gado em grandes propriedades
(latifúndios). Na região da Caatinga, ainda é praticada a agricultura de
sequeiro, uma técnica adaptada ao cultivo em terras extremamente áridas.
Órgãos ambientais do
governo federal estimam que mais de 46% da extensão da Caatinga já foi
desmatada, colocando esse bioma em sério risco de comprometimento ecológico. É
crucial destacar que muitas espécies são endêmicas desse ecossistema, o que
significa que são exclusivas dessa região e não ocorrem em nenhum outro lugar.
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Pampa
Conhecido também como
Campos do Sul ou Campos Sulinos, o bioma Pampa abrange uma área de 176,5 mil km²,
o que corresponde a aproximadamente 2% do território nacional. Sua paisagem é
predominantemente composta por vegetação campestre, caracterizada por gramíneas,
herbáceas e algumas árvores.
No Brasil, o bioma Pampa
está limitado ao estado do Rio Grande do Sul, ocupando cerca de 63% do território
gaúcho, além de abranger partes dos territórios da Argentina e Uruguai. Os
Campos da região sul do Brasil são conhecidos como "pampa", termo de
origem indígena que significa "região plana".
Em termos gerais, o solo
dessa região possui naturalmente baixa fertilidade e é altamente suscetível à
erosão. À primeira vista, a paisagem da vegetação pampa campestre pode parecer
uniforme, com um tapete herbáceo de altura variando de 60 cm a 1 m nos terrenos
mais planos. No entanto, esse tapete é composto por centenas de espécies de
gramíneas. À medida que nos deslocamos
em direção às encostas, a vegetação se torna mais densa e diversificada, com
predomínio de gramíneas, plantas compostas e leguminosas. Alguns dos gêneros
mais comuns incluem Stipa, Piptochaetium, Aristida, Melica e Briza. Além disso,
sete gêneros de cactos e bromeliáceas abrigam espécies que são exclusivas dessa
região.
A mata aluvial abriga várias
espécies de árvores de interesse comercial. Dentro da Área de Proteção
Ambiental do Rio Ibirapuitã, que está localizada nesse bioma pampa,
encontram-se formações campestres e florestais com características únicas em
comparação a outras formações presentes no Brasil. Além disso, essa área é o
habitat de 11 espécies de mamíferos que estão ameaçadas de extinção ou são
consideradas raras, incluindo ratos d'água, cervídeos e lobos, além de abrigar
22 espécies de aves com a mesma condição.
Vale destacar que pelo
menos uma espécie de peixe, conhecida como cará (Gymnogeophagus sp., da Família
Cichlidae), é endêmica da bacia do rio Ibirapuitã.
O Pampa é uma área de
clima temperado, com médias de temperatura em torno de 18°C. Essa paisagem é
composta por colinas que abrigam pastagens para a criação de gado, bem como
terras alagadas conhecidas como várzeas, caracterizadas por serem áreas baixas
e úmidas. Na região sul do Brasil, a pecuária possui uma tradição que remonta
aos tempos da colonização.
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Pantanal
O Pantanal abrange uma
extensão de 150.355 km², representando quase 2% do território total do Brasil,
e é predominantemente caracterizado por uma savana estépica alagada. Este bioma
está presente em apenas dois estados brasileiros, ocupando cerca de 7% do
estado de Mato Grosso e 25% do estado de Mato Grosso do Sul. A região é uma
vasta planície aluvial influenciada pelos rios que drenam a bacia do Alto
Paraguai, e é o lar de uma fauna e flora excepcionalmente belas e abundantes.
No Pantanal, o clima se
caracteriza por temperaturas elevadas, altos índices pluviométricos e uma
distinta divisão entre um verão quente e chuvoso e um inverno frio e seco.
Essas condições climáticas propiciam a formação de solos que são amplamente
utilizados como áreas de pastagens para o gado. A vegetação do Pantanal é
diversificada e varia de acordo com a altitude, englobando gramíneas, árvores
de médio porte, plantas rasteiras e arbustos.
A fauna do Pantanal é
notavelmente diversificada, com registros que incluem cerca de 263 espécies de
peixes, 41 espécies de anfíbios, 113 espécies de répteis, 463 espécies de aves
e 132 espécies de mamíferos, incluindo duas espécies endêmicas. Jacarés,
capivaras e onças são alguns dos animais mais emblemáticos encontrados na região.
Entre as espécies de jacarés mais comuns estão o jacaré-do-Pantanal e o jacaré-do-papo-amarelo.
Além dos jacarés, o
Pantanal abriga uma variedade de outros répteis, como sucuris, jararacas,
jiboias e o sinimbu, um tipo de lagarto. Além disso, este vasto ecossistema é o
lar de uma ampla diversidade de insetos, incluindo formigas, cupins, aranhas e
mosquitos.
A abundância de água é uma
característica marcante do bioma pantaneiro e é fundamental para sustentar uma
grande variedade de animais aquáticos. Entre os diversos tipos de peixes
encontrados na região, destacam-se o pintado, o pacu, o dourado, o piauçu e o
jaú. Os jaús, em particular, são conhecidos por serem gigantes do mundo dos
peixes, podendo atingir até um metro e meio de comprimento e pesar
impressionantes 120 quilos.
As principais atividades econômicas do Pantanal incluem a pecuária, a pesca e o turismo. No entanto, o bioma enfrenta sérias ameaças, como o desmatamento, o manejo inadequado das terras para a agropecuária, a construção de hidrelétricas e o crescimento urbano e populacional desordenado. Estas pressões representam desafios significativos para a preservação deste ecossistema único
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Biomas. Brasília, DF: MMA, [2024].
EMBRAPA. Biomas brasileiros. Brasília, DF: Embrapa,
[s.d.].
FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA. A Mata Atlântica. São Paulo:
SOS Mata Atlântica, [s.d.].
IBGE. Biomas e sistema costeiro-marinho do Brasil. Rio de
Janeiro: IBGE, 2019.
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
(ICMBio).
INSTITUTO SOCIEDADE, POPULAÇÃO E NATUREZA (ISPN). O
Cerrado. Brasília, DF: ISPN, [s.d.].
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI. Portal da Amazônia. Belém:
MPEG, [s.d.].








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