1. (FGV-2003) “Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente.” ANTONIL, Cultura e opulência do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1982, p. 89.
Assinale a alternativa correta:
a) A escravização dos negros africanos permitiu que os índios deixassem de ser escravizados durante o período colonial.
b) O trabalho manual era visto como degradante pelos senhores brancos, e a escravidão, uma forma de lhes garantir uma vida honrada no continente americano.
c) Apesar dos vultosos lucros obtidos com o tráfico, a adoção da escravidão de africanos explica-se pela melhor adequação dos negros à rotina do trabalho colonial.
d) Extremamente difundida na Região Nordeste, a escravidão teve um papel secundário e marginal na exploração das minas de metais e pedras preciosas no interior do Brasil.
e) Diante das condições de vida dos escravos, os jesuítas criticaram duramente a escravidão dos negros africanos, o que provocou diversos conflitos no período colonial.


2. (PUC-SP-2005) A utilização de escravos negros africanos teve papel bastante importante na colonização das Américas porque
a) diminuiu a produtividade na agricultura, dada a baixa capacidade de trabalho dos africanos, implicando declínio da lavoura açucareira, como se pode notar no Nordeste brasileiro e no Caribe.
b) facilitou a busca de metais nobres, principal objetivo dos colonizadores, em virtude da falta de habilidade dos africanos na procura e localização de minas e no manejo dos instrumentos de mineração.
c) ofereceu mercado para os produtos primários das colônias, como se pode notar no crescimento intenso do consumo no sul dos Estados Unidos, onde se utilizava mão-de-obra escrava.
d) garantiu acumulação de capital nas metrópoles, em virtude dos ganhos obtidos no tráfico, que envolvia desde a aquisição de negros na África até sua venda para o trabalho escravo na América.
e) impediu a escravização do índio e assegurou a persistência de grandes comunidades indígenas, como se pode notar nas regiões dos antigos Impérios Inca, Maia e Asteca, que se mantiveram intocadas pelo espanhol.


3. (FUVEST) No Brasil, os escravos
1. trabalhavam tanto no campo quanto na cidade, em atividades econômicas variadas.
2. sofriam castigos físicos, em praça pública, determinados por seus senhores.
3. resistiam de diversas formas, seja praticando o suicídio, seja organizando rebeliões.
4. tinham a mesma cultura e religião, já que eram todos provenientes de Angola.
5. estavam proibidos pela legislação de efetuar pagamento por sua alforria.
Das afirmações acima, são verdadeiras apenas
a) 1, 2 e 4.
b) 3, 4 e 5.
c) 1, 3 e 5.
d) 1, 2 e 3.
e) 2, 3 e 5.


4. (UNIFESP) Estima-se que, no fim do período colonial, cerca de 42% da população negra ou mulata era constituída por africanos ou afro-brasileiros livres ou libertos. Sobre esse expressivo contingente, é correto afirmar que
a) era o responsável pela criação de gado e pela indústria do couro destinada à exportação. 
b) vivia, em sua maior parte, em quilombos, que tanto marcaram a paisagem social da época.
c) possuía todos os direitos, inclusive o de participar das Câmaras e das irmandades leigas.
d) tinha uma situação ambígua, pois não estava livre de recair, arbitrariamente, na escravidão.
e) formava a mão-de-obra livre assalariada nas pequenas propriedades que abasteciam as cidades.


5. (ENEM) A identidade negra não surge da tomada de consciência de uma diferença de pigmentação ou de uma diferença biológica entre populações negras e brancas e(ou) negras e amarelas. Ela resulta de um longo processo histórico que começa com o descobrimento, no século XV, do continente africano e de seus habitantes pelos navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu o caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico negreiro, à escravidão e, enfim, à colonização do continente africano e de seus povos.
K. Munanga. Algumas considerações sobre a diversidade e a identidade negra no Brasil. In: Diversidade na educação: reflexões e experiências. Brasília: SEMTEC/MEC, 2003, p. 37.
Com relação ao assunto tratado no texto acima, é correto afirmar que
a) a colonização da África pelos europeus foi simultânea ao descobrimento desse continente.
b) a existência de lucrativo comércio na África levou os portugueses a desenvolverem esse continente. c) o surgimento do tráfico negreiro foi posterior ao início da escravidão no Brasil.
d) a exploração da África decorreu do movimento de expansão europeia do início da Idade Moderna.
e) a colonização da África antecedeu as relações comerciais entre esse continente e a Europa.


6. (UEL) “Há trezentos anos que o africano tem sido o principal instrumento da ocupação e da manutenção do nosso território pelo europeu, e que os seus descendentes se misturam com o nosso povo. Onde ele não chegou ainda, o país apresenta o aspecto com que surpreendeu aos seus primeiros descobridores. Tudo o que significa luta do homem com a natureza, conquista do solo para habitação e cultura, estradas e edifícios, canaviais e cafezais, a casa do senhor e a senzala dos escravos, igrejas e escolas, alfândegas e correios, telégrafos e caminhos de ferro, academias e hospitais, tudo, absolutamente tudo, que existe no país, como resultado do trabalho manual, como emprego de capital, como acumulação de riqueza, não passa de uma doação gratuita da raça que trabalha à que faz trabalhar.”
(NABUCO, Joaquim. Minha formação. Brasília: Editora UnB, 1981. p. 28-29.)
Com base no texto do integrante do parlamento no Brasil Império e nos conhecimentos sobre o trabalho escravo, é correto afirmar:
a) Apesar de defender a instituição permanente da escravidão, Joaquim Nabuco destaca a presença fundamental da mão-de-obra livre no contexto do desenvolvimento econômico do Brasil Império.
b) Para o estadista, o fim da escravidão abalaria de forma irreversível a produção agrícola e o comércio no Império.
c) O parlamentar é enfático em suas opiniões sobre a relevância que teve o trabalho escravo para a economia e a sociedade brasileiras.
d) A persistência da escravidão no Brasil por três séculos resulta da submissão dos africanos e da ausência de lutas contra o rigor do cativeiro.
e) A condição de grande proprietário, desfrutada por Joaquim Nabuco, reflete-se em sua visão contrária ao reconhecimento da contribuição do negro para a cultura nacional.


7. (MACK)
Folga, nego, branco não vem cá;
Se vier, o diabo há de levar.
Samba, nego, branco não vem cá;
Se vier, pau há de levar.”
Cantiga de Quilombo, dança folclórica alagoana
Sobre a utilização do trabalho escravo, podemos afirmar que:
a) a submissão dos indígenas foi eficiente, pois eles não ofereciam resistência à dominação, já que eram familiarizados com o meio ambiente.
b) a escravização dos indígenas não foi satisfatória, pela oposição das ordens religiosas, apesar do apoio da legislação oficial à utilização desses indivíduos.
c) a Igreja católica condenava a imposição da escravidão aos africanos e estimulava as fugas, em protesto contra as práticas cruéis.
d) a habilidade dos africanos em atividades como a criação de animais e a agricultura era uma das vantagens oferecidas, apesar de os africanos serem menos resistentes às epidemias.
e) a utilização dos escravos africanos permitia aumentar o lucro gerado pelo tráfico intercontinental, apesar de os africanos resistirem à dominação, organizando-se em quilombos.


8. (VUNESP) Efetivamente, ocorriam casamentos mesmo entre os escravos. É preciso lembrar que a Igreja incumbia os senhores de manter seus cativos na religião católica, responsabilizando-os pelo acesso aos sacramentos e ritos de culto. Dessa forma, o casamento era não só forma de aculturação, mas também de estabilidade nos plantéis, desestimulando fugas e mesmo as alforrias, revertendo sempre no interesse do próprio senhor. Como exemplo, no Serro Frio, Francisca da Silva de Oliveira, a conhecida Chica da Silva, casava sistematicamente seus escravos. Em 30 de julho de 1765, na matriz de Santo Antônio do Tejuco, casaram-se seus escravos Joaquim Pardo e Gertrudes Crioula.
(Júnia Ferreira Furtado, Cultura e sociedade no Brasil colônia.)
Assim, para os senhores de escravos, permitir e incentivar o casamento dos seus escravos significava
a) se contrapor aos interesses da Igreja Católica, que defendia os rituais religiosos apenas aos homens livres.
b) ampliar, de maneira substancial, as ocorrências de alforrias das crianças nascidas desses casamentos.
c) resgatar as tradições culturais e religiosas dos povos africanos, garantindo o casamento entre pessoas da mesma etnia.
d) ter escravos disciplinados para o trabalho e menos propensos aos atos de rebeldia contra a escravidão.
e) evitar as uniões entre africanos e colonizadores brancos, em nome do projeto de “embranquecimento” do Brasil.


9. (VUNESP) A ideia exposta neste livro é diferente e relativamente simples: a colonização portuguesa, fundada no escravismo, deu lugar a um espaço econômico e social bipolar, englobando uma zona de produção escravista situada no litoral da América do Sul e uma zona de reprodução de escravos centrada em Angola.
(Luis Felipe de Alencastro, O trato dos viventes.)
A partir do texto, pode-se concluir que
a) as duas regiões de colonização no Atlântico Sul eram independentes, unidas somente pela subordinação à metrópole.
b) a presença dos colonizadores portugueses assegurou a produção agroexportadora no continente africano, do século XVI ao XVIII.
c) as duas regiões unidas pelo oceano formaram um só sistema de exploração colonial criado pelos portugueses nos séculos XVI e XVII.
d) a Coroa portuguesa privilegiava a porção africana, isto é, a reprodução de escravos, dentro do império colonial, nos séculos XVI e XVII.
e) nossa história não coincide com o nosso território colonial, isto é, a colônia portuguesa da América do Sul era simples prolongamento da Europa.


10. (MACK) Talvez a mais importante de todas as influências e a menos estudada seja a que derivou não propriamente da tradição africana, mas das condições sociais criadas com o sistema escravista. A existência de dominadores e dominados numa relação de senhores e escravos propiciou situações particulares específicas, marcando a mentalidade nacional. Um dos efeitos mais típicos dessa situação foi a desmoralização do trabalho. O trabalho que se dignifica, à medida que se resume no esforço do homem para dominar a natureza na luta pela sobrevivência, corrompe-se com o regime da escravidão, quando se torna resultado de opressão, de exploração.
Emília Viotti da Costa - Da senzala à colônia
Partindo do texto, podemos corretamente afirmar que
a) o sistema escravista que vigorou no Brasil ao longo de mais de três séculos, por se sustentar sobre uma relação de dominação, associou depreciativamente a noção de trabalho à de sujeição e aviltamento social, isto é, à condição escrava.
b) a introdução, nas lavouras brasil e iras, de africanos que desconheciam o trabalho levou-o à desmoralização, transformando o, de esforço para dominar a natureza, em mera luta pela sobrevivência.
c) a escravidão foi o único regime possível nos séculos coloniais, pois o trabalho “dignificante” era impraticável em uma natureza hostil como a que encontraram os portugueses no Brasil.
d) a relação entre senhores e escravos, no Brasil colonial, se exprimia, quanto ao trabalho, num conflito entre duas concepções: a de trabalho como “esforço para dominar a natureza” (visão dos senhores) e a de trabalho como “luta pela sobrevivência” (visão dos escravos).
e) a tradição africana, que considerava o trabalho como função exclusiva de escravos, provocou sua desmoralização, sobretudo numa sociedade como a colonial brasileira.


11. (MACK) “A escravidão moderna, aquela que se inaugurou no século XVI, após os descobrimentos, é uma instituição diretamente relacionada com o sistema colonial. A escravidão do negro foi a fórmula encontrada pelos colonizadores para explorar as terras descobertas. Durante mais de três séculos utilizaram eles o trabalho escravo com maior ou menor intensidade, em quase toda a faixa colonial.”
Emília Viotti da Costa - Da senzala à colônia
Estão entre as circunstâncias e os fatores históricos que explicam, no caso brasileiro, a instituição da escravidão mencionada acima, EXCETO
a) a importância econômica que representava, desde o início do século XV, o comércio de escravos africanos como fonte de lucros aos comerciantes metropolitanos, bem como indiretamente à própria Coroa portuguesa.
b) a mansidão dos trabalhadores africanos, afeitos, havia muito, à condição escrava nas selvas africanas, onde tribos subjugavam outras por meio das guerras.
c) a inexistência, em Portugal, de contingentes suficientemente numerosos de trabalhadores livres, que se dispusessem a emigrar para a América, onde trabalhassem em regime de semidependência ou como trabalhadores assalariados.
d) a inexistência então, quer nos princípios religiosos católicos, quer na legislação da Metrópole, de qualquer proibição à escravização de africanos, tanto diretamente aprisionados como comprados a chefes tribais na África.
e) o caráter essencialmente mercantilista da exploração colonial, que favorecia o emprego de uma mão-de-obra igualmente interessante — enquanto mercadoria — ao comércio metropolitano.


12. (FUVEST) No Brasil colonial, a escravidão caracterizou-se essencialmente:
a) Por sua vinculação exclusiva ao sistema agrário exportador.
b) Pelo incentivo da Igreja e da Coroa à escravidão de índios e negros.
c) Por estar amplamente distribuída entre a população livre, constituindo a base econômica da sociedade.
d) Por destinar os trabalhos mais penosos aos negros e os mais leves aos índios. 
e) Por impedir a emigração em massa de trabalhadores livres para o Brasil.


13. (VUNESP) Leia os seguintes trechos do poema Vozes d´ África, escrito por Castro Alves em 1868, e assinale a alternativa que os interpreta corretamente.
Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?
(...)
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
(...)
Hoje em meu sangue a América se nutre
– Condor que transformara-se em abutre,
Ave da escravidão
(...)
Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço
Perdão p´ra os crimes meus! ...
Há dois mil anos... eu soluço um grito...
(...)
a) O poeta procura convencer a Igreja católica e os cristãos brasileiros dos malefícios econômicos da escravidão.
b) Castro Alves defendeu os postulados da filosofia positivista e da literatura realista, justificando a escravidão.
c) O continente americano figura no poema como a pátria da liberdade e da felicidade do povo africano.
d) Abolicionista, Castro Alves leu em praça pública do Rio de Janeiro o poema Vozes d´ África para comemorar a Lei Áurea.
e) Castro Alves incorpora no poema o mito bíblico da nação do povo africano, cumprido através de milênios pela maldição da escravidão.


14. (PASUSP) Trabalho escravo ou escravidão por dívida é uma forma de escravidão que consiste na privação da liberdade de uma pessoa (ou grupo), que fica obrigada a trabalhar para pagar uma dívida que o empregador alega ter sido contraída no momento da contratação. Essa forma de escravidão já existia no Brasil, quando era preponderante a escravidão de negros africanos que os transformava legalmente em propriedade dos seus senhores. As leis abolicionistas não se referiram à escravidão por dívida. Na atualidade, pelo artigo 149 do Código Penal Brasileiro, o conceito de redução de pessoas à condição de escravos foi ampliado de modo a incluir também os casos de situação degradante e de jornadas de trabalho excessivas.
Adaptado de Neide Estergi. A luta contra o trabalho escravo, 2007.
Com base no texto, considere as afirmações abaixo:
I. O escravo africano era propriedade de seus senhores no período anterior à Abolição.
II. O trabalho escravo foi extinto, em todas as suas formas, com a Lei Áurea.
III. A escravidão de negros africanos não é a única modalidade de trabalho escravo na história do Brasil.
IV. A privação da liberdade de uma pessoa, sob a alegação de dívida contraída no momento do contrato de trabalho, não é uma modalidade de escravidão.
V. As jornadas excessivas e a situação degradante de trabalho são consideradas formas de escravidão pela legislação brasileira atual.
São corretas apenas as afirmações
a) I, II e IV
b) I, III e V 
c) I, IV e V
d) II, III e IV
e) III, IV e V


15. (FGV) “O espaço fechado e o calor do clima, a juntar ao número de pessoas que iam no barco, tão cheio que cada um de nós mal tinha espaço para se virar, quase nos sufocavam. Esta situação fazia-nos transpirar muito, e pouco depois o ar ficava impróprio para respirar, com uma série de cheiros repugnantes, e atingia os escravos como uma doença, da qual muitos morriam”.
Relato do escravo Olaudah Equiano. Apud ILIFFE, J., Os africanos. História dum continente. Lisboa, Terramar, 1999, p. 179. A respeito do tráfico negreiro, é correto afirmar:
a) Foi praticado exclusivamente pelos portugueses que obtiveram o direito de asiento, ou seja, direito ao fornecimento de escravos às plantações tropicais e às minas da América espanhola e anglo-saxã. 
b) Tornou-se uma atividade extraordinariamente lucrativa e decisiva no processo de acumulação primitiva de capitais que levou ao surgimento da sociedade industrial.
c) Foi combatido pelos holandeses à época de sua instalação em Pernambuco, o que provocou a revolta da população luso-brasileira em meados do século XVII.
d) Tornou-se alvo de divergências entre dominicanos, que defendiam o tráfico e a escravidão dos africanos, e os jesuítas, contrários tanto ao tráfico quanto à escravidão.
e) O aperfeiçoamento do transporte registrado no século XIX visava diminuir a mortandade dos escravos durante a travessia do Atlântico, atenuava as críticas ao tráfico e ainda ampliava a margem de lucros.



GABARITO



1. (UFF RJ) Nos últimos anos, estudos acerca da escravidão têm revelado uma sociedade onde os negros, mesmo submetidos a condições subumanas, foram sujeitos de sua própria história. Sobre a atitude rebelde dos cativos, assegura-se que:
a) Tarefas mal feitas e incompletas atestavam a veracidade dos argumentos sobre a ignorância dos escravos, o que impossibilitava a organização de movimentos rebeldes.
b) A vigilância e fiscalização do feitor impediam a rebeldia, restringindo as alternativas de contestação à fuga e ao suicídio.
c) As revoltas raramente ocorriam, pois, considerados mercadorias, os escravos se reconheciam como coisas e não como humanos.
d) A rebeldia negra apoiou-se, sobretudo, na manutenção, por parte dos cativos, de seus valores culturais.
e) O levante dos malês, em 1835, tinha forte conteúdo étnico, o que explica a excepcionalidade desse motim ocorrido na Bahia.


2. (UFMG) A utilização da escravidão negra no processo de colonização do Brasil deveu-se:
a) À disposição de parte da população africana em emigrar para o Brasil.
b) à inclinação dos portugueses à miscigenação racial.
c) Ao emprego dos jesuítas em impedir a utilização do trabalho do indígena.
d) Aos grandes lucros proporcionados pelo tráfico negreiro.


3. (FUVEST) Em 1694, uma expedição chefiada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho foi encarregada pelo governo metropolitano de destruir o quilombo de Palmares.
Isto se deu porque:
a) Os paulistas, excluídos do circuito da produção colonial centrada no Nordeste, queriam aí estabelecer pontos de comércio, sendo impedidos pelos quilombos.
b) Os paulistas tinham prática na perseguição de índios, os quais aliados aos negros de Palmares ameaçavam o governo com movimentos milenaristas.
c) O quilombo desestabilizava o grande contingente escravo existente no Nordeste, ameaçando a continuidade da produção açucareira e da dominação colonial.
d) Os senhores de engenho temiam que os quilombolas, que haviam atraído brancos e mestiços pobres, organizassem um movimento de independência da colônia.
e) Os aldeamentos de escravos rebeldes incitavam os colonos à revolta contra a metrópole visando trazer novamente o Nordeste para o domínio holandês.


4. (MACKENZIE) Considere as seguintes afirmações.
I. A atividade mineradora exigiu, durante o século XVIII em Minas, grande quantidade de trabalhadores escravos. Com a expansão cafeeira, no início do XIX, o excedente de mão-de-obra deixado pela decadente economia mineira pôde suplementar a carência de braços na lavoura.
II. Além de seu valor como mão-de-obra e como mercadoria, o escravo representava para seus senhores, nos séculos coloniais, a oportunidade de distinção social e autoridade política, segundo a mentalidade senhorial da época.
III. A desagregação do sistema escravista em escala mundial, no século XIX, ocasionou, no Brasil, por um lado, o aumento da pressão da diplomacia britânica pela cessação do tráfico, e, por outro, a difusão interna de ideais abolicionistas e republicanos.
Assinale:
a) se apenas I é correta.
b) se apenas II é correta.
c) se apenas III é correta. 
d) se apenas I e II são corretas.
e) se I, II e III são corretas.


5. (UFRN) No Brasil colonial, grande parte da mão-de-obra era suprida pela exploração do trabalho escravo de africanos e de seus descendentes. Sua condição perante a lei era ambígua. Quando se tratava de puni-los, eram considerados pessoas, sendo responsabilizados pelas faltas cometidas e recebendo, por isso, severos castigos.
Por outro lado, eram tratados também como coisas, uma vez que:
a) a propriedade sobre o indivíduo escravizado era transmissível por herança, doação, legado, aluguel, empréstimo e confisco.
b) a condição social de escravo era perpétua e se transmitia hereditariamente, pela linha materna, tal como no antigo direito romano.
c) a convivência dos escravos domésticos com os seus senhores resultava em maior intimidade e gerava maiores chances de alforria.
d) a jornada de trabalho dos escravos, nas plantações e nos engenhos de açúcar, era muito longa e esgotava suas forças em poucos anos.


6. (UNIFESP) Para um homem ter o pão da terra, há de ter roça; para comer carne, há de ter caçador; para comer peixe, pescador; para vestir roupa lavada, lavadeira; ... e os que não podem alcançar a tanto número de escravos, ou passam miséria, realmente, ou vendo-se no espelho dos demais lhes parece que é miserável a sua vida.
(Padre Vieira, 1608-1697.)
O texto mostra que, para se viver bem na Colônia, seria preciso ter, sobretudo:
a) escravos.
b) terras.
c) animais.
d) cultura.
e) habilidades.


7. (MACKENZIE) Escrevendo sobre os fatores que contribuíram para a adoção do trabalho escravo no Brasil colonial, um importante historiador brasileiro indagava: Por que se apelou para uma relação de trabalho odiosa a nossos olhos, que parecia semimorta, exatamente na época chamada pomposamente de aurora dos tempos modernos? Das proposições abaixo, quais se combinam para responder corretamente à indagação feita?
I. Não havia, na Metrópole, contingentes suficientes de trabalhadores dispostos a emigrar para a colônia, onde pudessem trabalhar em regime de semidependência ou assalariamento, nem esse regime se ajustava ao caráter mercantilista da exploração colonial.
II. O comércio de escravos africanos representou, desde seu início, no século XV, uma atraente fonte de lucros para os comerciantes metropolitanos e, indiretamente, para a própria Coroa.
III. Os colonizadores europeus perceberam a inexistência de uma inclinação natural dos africanos à liberdade, o que facilitava sua acomodação rápida ao regime de trabalho compulsório.
IV. Em Portugal, nem a Coroa nem a Igreja Católica levantaram impedimentos jurídicos ou religiosos contra a escravidão de nativos comprados ou aprisionados na África.
a) I, II e III
b) I, II e IV
c) II, III e IV
d) I, III e IV
e) I, II, III e IV


8. (UEPB) Assinale a única alternativa que contém corretamente três características daquilo que podemos considerar como as bases de sustentação e funcionamento da colonização portuguesa na América:
a) Monopólio, liberdade de culto, grande propriedade com monocultura exportadora.
b) Clara separação entre público e privado, monopólio, tráfico negreiro e escravidão.
c) Subordinação da Igreja ao Estado, diversificação na produção agrícola, monopólio.
d) Monocultura exportadora, tráfico de escravos, autonomia política da colônia.
e) Monopólio, tráfico negreiro e escravidão, grande propriedade com monocultura exportadora.


9. (UFOPMG) No período chamado colonial, na América Portuguesa, houve predominância do uso de trabalho escravo. Entre os escravos, havia uma série de distinções relativas ao tipo e ao local de trabalho que exerciam. Outras distinções diziam respeito à etnia, à cor da pele ou à permanência do escravo no país. Por exemplo, chamava-se de “crioulo” o escravo nascido no Brasil. Marque a alternativa que apresenta a forma como eram chamados os cativos africanos recém-chegados à América Portuguesa.
a) ladinos
b) boçais
c) mulatos
d) broncos


10. (UECE) A Confederação dos Quilombos de Palmares é considerada por alguns historiadores como a maior ameaça à ordem escravista conhecida pelo estado colonial brasileiro.
No que tange à citada confederação, assinale a opção que contém afirmação INCORRETA.
a) Inicialmente, as “comunidades” quilombolas procuravam apenas passar despercebidas aos colonos e grandes proprietários de terras.
b) Os quilombos eram reprimidos pelos capitães-do-mato, pelas tropas particulares contratadas pelos grandes proprietários e por milícias oficiais.
c) O Quilombo de Palmares foi apenas um entre tantos outros quilombos existentes no Brasil e em nada se diferenciou de tantos outros perdidos nas matas brasileiras.
d) O Quilombo de Palmares era cercado por paliçadas, fossos e armadilhas e durante décadas resistiu aos ataques de tropas particulares e oficiais.


11. (UFU) Sobre os quilombos no Brasil colonial, é correto afirmar que:
a) formaram-se quilombos em várias regiões do Brasil, havendo o convívio entre populações escravas africanas e indígenas, tendo como principal exemplo o Quilombo dos Palmares, no atual estado de Alagoas.
b) os quilombolas dependiam da permissão dos senhores das propriedades próximas para transitar pelas cidades circunvizinhas, bem como para comercializar os produtos de suas terras.
c) todos os quilombos possuíam um exército próprio, de modo a proteger suas terras contra o avanço de inimigos, assim como uma complexa organização social.
d) as maiores populações quilombolas no Brasil formaram-se nas regiões de maior produção monocultora de exportação, como os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.


12. (UNCISAL) A forma mais elaborada de resistência à escravidão se deu por meio dos quilombos. No Brasil, considera-se o mais importante o de Palmares, que
a) foi formado exclusivamente por escravos nascidos na África e esteve em pleno funcionamento apenas durante a presença dos holandeses no nordeste brasileiro.
b) se formou no início do século XVII, chegou a ter por volta de 20 mil moradores e foi destruído no fim do mesmo século, pela ação de bandeirantes. 
c) se especializou, durante todo o século XVI, na exploração de metais preciosos, abundantes nas margens dos rios do interior de Pernambuco.
d) foi constituído no fim do século XVIII e contou com a importante contribuição de setores da Igreja Católica, que eram contrários ao escravismo.
e) contou com o decisivo apoio de importantes senhores de engenho de Pernambuco e da Bahia, com o intuito de sabotar a presença holandesa nessas capitanias.


13. (UNIFICADO) No Brasil Colônia, a fuga era o modo mais comum de rebeldia entre os escravos. Muitos desses fugitivos deram origem aos quilombos, ao se reunirem em núcleos fortificados no sertão. Sem dúvida, Palmares, em Alagoas, foi o maior quilombo de que se tem notícia. Nesse quilombo, praticava-se intenso comércio como uma das formas de garantia de sua manutenção e duração, entre 1630 e 1694.
O dinamismo comercial desse quilombo mantinha-se devido à
a) troca clandestina de mercadorias entre o quilombo e os governos regionais, especialmente com o de Pernambuco.
b) rede de trocas mercantis estabelecida entre quilombos, em função do conhecimento dos fugitivos sobre a região.
c) colaboração de brancos que forneciam armas e utensílios, pagos pelos negros com os seus excedentes agrícolas.
d) conivência da Coroa portuguesa, negligente com o efetivo poder do quilombo naquela região geográfica.
e) criação de cooperativas para a produção agrícola quilombola, comercializada nas cidades do sertão.


14. (UECE)
Leia atentamente o excerto abaixo.
“Negar-lhes [aos escravos negros] totalmente os seus
folguedos, que são o único alívio do seu cativeiro é
querê-los desconsolados e melancólicos, de pouca vida
e saúde. Portanto, não lhes estranhem os senhores, o
criarem seus reis, cantar e bailar por algumas horas...”
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia, Edusp, 1992.
Observe as seguintes afirmações a respeito do que sugere o excerto acima:
I. Antonil, jesuíta do período colonial, percebeu a importância, em termos de controle social e ideológico, de se deixar aflorar as manifestações culturais dos africanos.
II. As manifestações festivas e culturais dos negros escravos escandalizavam o jesuíta, que temia o sincretismo afro-católico.
É correto afirmar-se que
a) I é falsa e II é verdadeira.
b) I é verdadeira e II é falsa.
c) ambas são verdadeiras.
d) ambas são falsas.


15. (UEPA) Os engenhos não eram apenas fábricas incríveis, mas verdadeiros infernos, com caldeiras que parecem lagos ferventes, trabalhos noturnos e gritos desesperados de escravos. Numa melhor posição social, trabalhadores livres desempenhavam funções especializadas. [...] O Brasil preparava-se para ser, segundo a visão de um cronista no período colonial, o inferno dos negros, o purgatório dos brancos e o paraíso dos mulatos.
(VICENTINO, Claudio. História Integrada: o mundo da Idade Moderna:6 séries. São Paulo: Scipione,1995, p.4 do Miniatlas histórico).
A visão do cronista do período colonial sobre a escravidão negra nos engenhos, localizados em terras brasileiras, se apoiava em princípios teológicos que viam:
a) na violência imposta aos escravos negros, um mal necessário ao combate de sua inferioridade racial, marcada pela indolência.
b) a escravidão como algo necessário à remissão dos negros, que encontravam no trabalho das caldeiras uma forma de pagar pelo mal que traziam em si, e assim garantir a salvação.
c) nos castigos impostos aos escravos e aos trabalhadores livres uma forma de disciplinar o corpo, pois eram portadores de maus hábitos, principalmente da luxúria.
d) o trabalho escravo como forma de sacrifício agradável a Deus, pois, sendo este o inferno, suas almas iriam para o céu depois que morressem, junto com os mulatos e brancos.
e) na ação dos senhores de engenho, uma expressão da presença divina, pois estes possibilitavam a negros e mulatos, o pagamento do pecado original pelo trabalho.



GABARITO



1. (UNIFEV) É correto afirmar que, no Brasil Colônia, a escravização de africanos e afrodescendentes
a) eliminou a escravização de indígenas, que contavam com a proteção da Igreja Católica e dos responsáveis pela administração colonial.
b) foi utilizada apenas nas lavouras de açúcar e café, pois os africanos escravizados não se adaptavam ao trabalho nas minas.
c) permitiu rápida integração racial, mas agravou o preconceito contra os indígenas, considerados inábeis para as atividades agrícolas.
d) teve implicações que ultrapassaram a esfera econômica, sendo decisiva para a constituição de uma sociedade rigidamente hierarquizada.
e) representou fonte de mão de obra principalmente para a pecuária desenvolvida no Sul e no Centro-Oeste do território brasileiro.


2. (PUCCAMP)
Sob Pedro II, ancestrais meus julgavam-se ao abrigo de solavancos históricos, portadores que eram de títulos de nobreza, e lá veio o marechal Deodoro com sua república. Meu tetravô Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, que cintilava no Segundo Império como barão de Paty do Alferes, era dono de sete fazendas na região de Vassouras, e terminou sem terra. Esse vovô barão escreveu um livro hoje clássico, Memória sobre a fundação de uma fazenda na província do Rio de Janeiro, com instruções que vão da melhor época para plantar amendoim ao manejo dos escravos, que recomendava tratar bem: “Eles são o nosso melhor capital”.
(Humberto Werneck. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2011. p. 69)
O manejo dos escravos é um tema presente na documentação produzida pelos colonizadores desde o início da implantação do sistema de plantation, no Brasil colonial. Para os jesuítas, a escravidão de negros era
a) condenada, bem como todo e qualquer tipo de escravidão pois estas práticas implicavam em tratamento desumano e não cristão para com o próximo.
b) tolerada a fim de que os indígenas fossem poupados desse tipo de exploração, viabilizando sua catequese nas missões.
c) necessária, indo ao encontro dos interesses da própria Companhia de Jesus, que defendia, em geral, a escravidão do não-europeu.
d) justificada com o argumento da superioridade branca e cristã, devendo as demais raças e religiões serem sistematicamente eliminadas.
e) admitida uma vez que os negros já fossem escravos em sua terra natal, caso contrário, deveriam ser imediatamente libertos.


3. (UNIVAG) Sobre base escravista desenvolve-se […] a colonização da América portuguesa, e a sociedade colonial foi sendo moldada sobre essa base. Já o padre Manoel da Nóbrega notava, nos primórdios da colonização, que “os homens que para aqui vêm não acham outro modo senão viver do trabalho dos escravos”.
(Fernando A. Novais. Estrutura e dinâmica do antigo sistema colonial, 1975.)
Para Portugal, a utilização, em grande escala, da mão de obra escrava na colonização do Brasil implicou
a) a ruptura do governo português com a Igreja Católica, contrária à escravidão.
b) o conflito militar com o governo inglês, que se opunha ao tráfico de escravos.
c) o estabelecimento de relações comerciais com diversas regiões da África.
d) a transferência de servos dos campos portugueses para os canaviais da colônia.
e) a procura de capitais no exterior, visando à compra dos cativos a preços elevados.


4. (FATEC) Durante o período colonial, a exploração de trabalhadores escravos de origem africana foi fundamental para o desenvolvimento das atividades produtivas em toda a América Portuguesa. No ciclo do ouro, no século XVIII, os escravos não foram responsáveis apenas pela parte braçal, mas também pelo desenvolvimento de técnicas que nunca tinham sido aplicadas na região de Minas Gerais como, por exemplo, a técnica das canoas (que eram lavadouros, espécies de mesas) em que se depositava o cascalho retirado dos rios ou tabuleiros em pequenos montes para ser lavado e apurado.
(http://www.palmares.gov.br/2008/06/livro-valorizahistoria-afro-brasileira-do-ciclo-deouro/ Acesso em: 08.01.2014. Adaptado)
Considerando os elementos apresentados, é correto concluir que a mineração no período colonial
a) reproduzia o modelo de extração trazido pelos colonizadores portugueses.
b) agregava procedimentos técnicos desenvolvidos pelos escravos africanos.
c) dependia de grandes máquinas extratoras importadas da Europa.
d) visava à exploração do ouro, abundante nas regiões litorâneas.
e) era prejudicada pela inexperiência dos escravos nas minas.


5. (UEGGO) O português falado pelos senhores, que os africanos tinham de aprender para obedecer às ordens e sobreviver da melhor maneira possível, também serviu para os que falavam diferentes línguas se entenderem entre si. Algumas vezes pessoas de um mesmo grupo linguístico criavam línguas novas, resultantes de combinações de dialetos africanos entre si e também com o português.
SOUZA, Marina de Mello. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2007. p. 90.
Essa integração forçada, em decorrência da prática escravista no Brasil, entre portugueses e diferentes grupos étnicos africanos, teve como resultado
a) a submissão passiva dos negros africanos à cultura de seus senhores, uma vez que essa mistura linguística os destituía de seus traços culturais de origem.
b) a formação de uma cultura negra diferente das existentes na África, uma vez que misturava elementos de vários grupos étnicos.
c) o fortalecimento da identidade negra, facilitando a ação dos grupos de resistência que falavam uma só língua durante as fugas coletivas.
d) o esquecimento de diversas crenças, mitos, lendas e costumes dos africanos que, destituídos de sua língua-mãe, não conseguiam mais transmitir essas noções.


6. (UFT) “Desde logo salientamos a doçura nas relações de senhores com escravos domésticos, talvez maiores no Brasil do que em qualquer outra parte da América.”
Fonte: FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1963, p.393.
Diferentemente do texto acima, a historiografia brasileira confirma que os escravos negros não foram totalmente passivos frente ao regime que os oprimia. Durante o período escravista brasileiro, uma das formas de resistência foi:
a) a migração clandestina rumo à África.
b) a adoção da fé islâmica pelos escravos paulistas.
c) o surgimento de religiões com bases sincréticas.
d) a inexistência de uniões afetivas de caráter estável.
e) o aparecimento de rebeliões como a ‘Revolta da Chibata’.


7 - (UFTO) No decorrer da sociedade escravista, que perdurou no Brasil por quase quatro séculos, o dispositivo legal que oportunizava ao escravo a conquista da liberdade era comumente caracterizado pela:
a) formação de quilombos ou mocambos onde os escravos tornavam-se livres em seus cotidianos.
b) deflagração de inúmeras revoltas e insubordinações que invariavelmente tornavam livres os cativos. 
c) obtenção das manumissões ou cartas de alforrias, expediente jurídico que punha fim ao martírio do cativeiro. 
d) fuga, onde inúmeros escravos, tanto homens quanto mulheres, que vivenciavam o prazer da liberdade.
e) obtenção de passaportes, por meio dos quais, nos núcleos urbanos, os escravos adquiriam a condição de ganho e o direito de ir e vir.


8. (ENEM) O tráfico de escravos em direção à Bahia pode ser dividido em quatro períodos:
1.º – O ciclo da Guiné durante a segunda metade do século XVI;
2.º – O ciclo de Angola e do Congo no século XVII;
3.º – O ciclo da Costa da Mina durante os três primeiros quartos do século XVIII;
4.º – O ciclo da Baía de Benin entre 1770 e 1850, estando incluído aí o período do tráfico clandestino.
A chegada dos daomeanos (jejes) ocorreu nos dois últimos períodos. A dos nagô-iorubás corresponde, sobretudo, ao último. A forte predominância dos iorubás na Bahia, de seus usos e costumes, seria explicável pela vinda maciça desse povo no último dos ciclos.
VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos: dos séculos XVII a XIX. Tradução de Tasso Gadzanis. São Paulo: Corrupio, 1987. p. 9. (com adaptações).
Os diferentes ciclos do tráfico de escravos da costa africana para a Bahia, no Brasil, indicam que
a) o início da escravidão no Brasil data do século XVI, quando foram trazidos para o Nordeste os chamados “negros da Guiné”, especialistas na extração de ouro.
b) a diversidade das origens e dos costumes de cada nação africana é impossível de ser identificada, uma vez que a escravidão moldou os grupos envolvidos em um processo cultural comum.
c) os ciclos correspondentes a cada período do tráfico de diferentes nações africanas para a Bahia estão relacionados aos distintos portos de comercialização de escravos.
d) o tráfico de escravos jejes para a Bahia, durante o ciclo da Baía de Benin, ocorreu de forma mais intensa a partir do final do século XVII até a segunda metade do século XVIII.
e) a escravidão nessa província se estendeu do século XVI até o início do século XVIII, diferentemente do que ocorreu em outras regiões do País.


9. (ENEM) Torna-se claro que quem descobriu a África no Brasil, muito antes dos europeus, foram os próprios africanos trazidos como escravos. E esta descoberta não se restringia apenas ao reino linguístico, estendia-se também a outras áreas culturais, inclusive à da religião. Há razões para pensar que os africanos, quando misturados e transportados ao Brasil, não demoraram em perceber a existência entre si de elos culturais mais profundos.
(SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e descoberta do Brasil. Revista USP. n. 12, dez. /jan. /fev. 1991-92 – Adaptado)
Com base no texto, ao favorecer o contato de indivíduos de diferentes partes da África, a experiência da escravidão no Brasil tornou possível a
a) formação de uma identidade cultural afro-brasileira.
b) superação de aspectos culturais africanos por antigas tradições europeias.
c) reprodução de conflitos entre grupos étnicos africanos.
d) manutenção das características culturais específicas de cada etnia.
e) resistência à incorporação de elementos culturais indígenas.


10. (ENEM) A recuperação da herança cultural africana deve levar em conta o que é próprio do processo cultural: seu movimento, pluralidade e complexidade. Não se trata, portanto, do resgate ingênuo do passado nem do seu cultivo nostálgico, mas de procurar perceber o próprio rosto cultural brasileiro. O que se quer é captar seu movimento para melhor compreendê-lo historicamente.
MINAS GERAIS: Cadernos do Arquivo 1: Escravidão em Minas Gerais. Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro, 1988.
Com base no texto, a análise de manifestações culturais de origem africana, como a capoeira ou o candomblé, deve considerar que elas
a) permanecem como reprodução dos valores e costumes africanos. 
b) perderam a relação com o seu passado histórico.
c) derivam da interação entre valores africanos e a experiência histórica brasileira.
d) contribuem para o distanciamento cultural entre negros e brancos no Brasil atual.
e) demonstram a maior complexidade cultural dos africanos em relação aos europeus.


11. (IFPE) Entre os séculos XVI e XIX, milhares de africanos foram desembarcados no Brasil, para trabalharem como escravos em diversas atividades, como o plantio de cana, a produção do açúcar, a pecuária etc. Estes homens, mulheres e crianças eram transportados nos chamados navios negreiros ou tumbeiros, que não possuíam condições favoráveis de viagem, fazendo com que cerca de 20% deles morressem durante o trajeto. Sobre a vinda dos negros e sua vida no Brasil, analise as seguintes proposições.
I. Amontoados nos porões dos navios, os africanos, durante o percurso, tinham que permanecer sentados, acorrentados uns aos outros, praticamente sem condições de se moverem.
II. A violência contra os escravos era mais comum nas grandes lavouras, na zona rural do país. Já nos núcleos urbanos a relação entre senhores e cativos era pacífica.
III. Os quilombos foram uma forma de resistência dos escravos ao cativeiro, que consistiam em comunidades escondidas em locais distantes, como florestas e serras.
IV. Os escravos urbanos tinham mais liberdade para se locomover, sem a vigilância do senhor de engenho ou do feitor, pois trabalhavam muitas vezes comércio nas cidades.
Estão corretas, apenas:
a) I, II e III
b) I, III e IV
c) I, II e IV
d) I e IV
e) II e III


12. (UNICESUMAR) A resistência negra à escravidão, durante o período colonial brasileiro, incluiu a
a) aceitação passiva do trabalho nas lavouras de cana, para evitar castigos físicos e aprisionamentos. 
b) a organização de embarques regulares e clandestinos em navios mercantes, para retornar à África. 
c) rejeição de atividades na pecuária ou na mineração, para evitar deslocamentos e perda de contato com a família.
d) colaboração com senhores de engenho e bandeirantes, na caça a escravos foragidos.
e) prática secreta ou disfarçada de religiões de origem africana, no esforço de preservar crenças e tradições.


13. (UNCISAL) Durante mais de três séculos, o tráfico negreiro constituiu uma das molas fundamentais do capitalismo mercantil, fornecendo a mão de obra necessária às plantações do Novo Mundo e representando em si uma forma importante de acumulação de capital. A fazer fé em estimativas recentes, de 1500 a 1800 foram exportados de África para as Américas cerca de 8,3 milhões de escravos. O ponto mais alto deste comércio corresponde ao século XVIII, com quase três quartos do total (6,1 milhões). Portugal foi um dos maiores beneficiados e por sua vez mais resistente ao fim desse comércio.
ALEXANDRE, Valentim. Portugal e a abolição do tráfico de escravos (1834-51). Análise Social, Lisboa, v. XXVI, n.2, p. 293- 333, 1991. (adaptado)
A resistência de Portugal em acabar com o tráfico de africanos para escravizar se apoiava no fato de que
a) essa atividade rendia mais lucro que a exploração de algumas riquezas naturais em suas colônias.
b) seu fim representaria um impacto muito grande nas exportações brasileiras de mão de obra.
c) a sua marinha não possuía nenhuma autoridade sobre as embarcações que faziam o tráfico.
d) qualquer atitude nesse sentido iria contrariar os interesses do seu maior aliado, a Inglaterra.
e) sua economia dependia das relações com países que defendiam o tráfico negreiro.


14. (FUVEST) Trabalho escravo ou escravidão por dívida é uma forma de escravidão que consiste na privação da liberdade de uma pessoa (ou grupo), que fica obrigada a trabalhar para pagar uma dívida que o empregador alega ter sido contraída no momento da contratação. Essa forma de escravidão já existia no Brasil, quando era preponderante a escravidão de negros africanos que os transformava legalmente em propriedade dos seus senhores. As leis abolicionistas não se referiram à escravidão por dívida. Na atualidade, pelo artigo 149 do Código Penal Brasileiro, o conceito de redução de pessoas à condição de escravos foi ampliado de modo a incluir também os casos de situação degradante e de jornadas de trabalho excessivas.
(Adaptado de Neide Estergi. A luta contra o trabalho escravo, 2007.)
Com base no texto, considere as afirmações abaixo:
I. O escravo africano era propriedade de seus senhores no período anterior à Abolição.
II. O trabalho escravo foi extinto, em todas as suas formas, com a Lei Áurea.
III. A escravidão de negros africanos não é a única modalidade de trabalho escravo na história do Brasil.
IV. A privação da liberdade de uma pessoa, sob a alegação de dívida contraída no momento do contrato de trabalho, não é uma modalidade de escravidão.
V. As jornadas excessivas e a situação degradante de trabalho são consideradas formas de escravidão pela legislação brasileira atual.
São corretas apenas as afirmações:
a) I, II e IV
b) I, III e V
c) I, IV e V
d) II, III e IV
e) III, IV e V


15. (UDESC) Em 17 de março de 1872 pelo menos duas dezenas de escravos liderados pelo escravo chamado Bonifácio avançaram sobre José Moreira Veludo, proprietário da Casa de Comissões (lojas de venda e compra de escravos) em que se encontravam, e lhe meteram a lenha. Em depoimento à polícia, o escravo Gonçalo assim justificou o ataque: Tendo ido anteontem para a casa de Veludo para ser vendido foi convidado por Filomeno e outros para se associar com eles para matarem Veludo para não irem para a fazenda de café para onde tinham sido vendidos.
(Apud: CHALHOUB, Sidney, 1990, p. 30 31)
Com base no caso citado acima e considerando o fato e a historiografia recente sobre os escravos e a escravidão no Brasil, é possível entender os escravos e a forma como se relacionavam com a escravidão da seguinte forma:
I - O escravo era uma coisa, ou seja, estava sujeito ao poder e ao domínio de seu proprietário. Privado de todo e qualquer direito, incapaz de agir com autonomia, o escravo era politicamente inexpressivo, expressando passivamente os significados sociais impostos pelo seu senhor.
II - Nem passivos e nem rebeldes valorosos e indomáveis, estudos recentes informam que os escravos eram capazes de se organizar e se contrapor por meio de brigas ou desordens àquilo que não consideravam justo, mesmo dentro do sistema escravista.
III - Incidentes, como no texto acima, denotam rebeldia e violência por parte dos escravos. O ataque ao Senhor Veludo, além de relevar o banditismo e a delinquência dos escravos, só permite uma única interpretação: barbárie social.
IV - O tráfico interno no Brasil deslocava milhares de escravos de um lugar para outro. Na iminência de serem subitamente arrancados de seus locais de origem, da companhia de seus familiares e do trabalho com o qual estavam acostumados, muitos reagiram agredindo seus novos senhores, atacando os donos de Casas de Comissões, etc. 
V - Pesquisas recentes sobre os escravos no Brasil trazem uma série de exemplos, como o texto citado acima, que se contrapõem e desconstroem mitos célebres da historiografia tradicional: que os escravos eram apenas peças econômicas, sem vontades que orientassem suas próprias ações.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas I, II, IV e V são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras.



GABARITO


1. (ADVISE) A escravidão negra no Brasil teve várias facetas. Dentre as assertivas a seguir, qual não pode ser considerada uma marca do escravismo brasileiro?
a) A vida nos engenhos era dura e penosa. Por isso, a expectativa de vida dos escravos era muito pequena.
b) Todos os escravos se reconheciam como iguais e lutaram juntos pelo fim da infame escravidão.
c) O processo de derrocada da escravidão foi lento e gradual, durando, legalmente falando, quase quarenta anos (1850-1888).
d) Era relativamente comum ao “preto forro”, caso tivesse algum pecúlio, adquirir um escravo.
e) Os escravos que conseguiam, ao longo de muitos anos de trabalho duro, juntar algum cabedal compravam a sua liberdade.


2. (UFPB) O texto, a seguir, retrata uma das mais tristes páginas da história do Brasil: a escravidão.
“O bojo dos navios da danação e da morte era o ventre da besta mercantilista: uma má­quina de moer carne humana, funcionando incessantemente para alimentar as plantações e os engenhos, as minas e as mesas, a casa e a cama dos senhores – e, mais do que tudo, os cofres dos traficantes de homens.”
(Fonte: BUENO, Eduardo. Brasil: uma história: a in­crível saga de um país. São Paulo: Ática, 2003. p. 112).
Sobre a escravidão como atividade econômica no Brasil Colônia, é correto afirmar:
a) As pressões inglesas, para que o tráfico de escravos continuasse, aumentaram após 1850.  Porém, no Brasil, com a Lei Eusébio de Queiróz, ocorreu o fim do tráfico inter­continental e, praticamente, desapareceu o tráfico interno entre as regiões.
b) A mão-de-obra escrava no Brasil, diferente de outros lugares, não era permitida em atividades econômicas complementares. Por isso, destinaram-se escravos exclusivamente às plantações de cana-de-açúcar, às minas e à produção do café.
c) A compra e posse de escravos, durante todo o período em que perdurou a escravidão, só foi permitida para quem pudesse manter um número de, pelo menos, 30 cativos. Essa proibição justificava-se, devido aos altos custos para se ter escravos.
d) Muitos cativos, no início da escravidão, conseguiam a liberdade, após adquirirem a carta de alforria. Isso explica o grande número de ex-escravos que, na Paraíba, conseguiram tornar-se grandes proprietários de terras.
e) Os escravos, amontoados e em condições desumanas, eram transportados da África para o Brasil, nos porões dos navios negreiros, como forma de diminuição de custos. Com isso, muitos cativos morriam antes de chegarem ao destino.


3. (UFPE) As razões que fizeram com que no Brasil colonial e mesmo durante o império a escravidão africana predominasse em lugar da escravidão dos povos indígenas podem ser atribuídas a (à):
a) setores da Igreja e da Coroa que se opunham à escravização indígena; fugas, epidemias e legislação antiescravista indígena que a tornaram menos atraente e lucrativa.
b) religião dos povos indígenas, que proibia o trabalho escravo. Preferiam morrer a ter que se se submeterem às agruras da escravidão que lhes era imposta nos engenhos de açúcar ou mesmo em outros trabalhos.
c) reação dos povos indígenas, que, por serem bastante organizados e unidos, toda vez que se tentou capturá-los, eles encontravam alguma forma de escapar ao cerco dos portugueses.
d) ausência de comunicação entre os portugueses e os povos indígenas e à dificuldade de acesso ao interior do continente, face ao pouco conhecimento que se tinha do território e das línguas indígenas.
e) um enorme preconceito que existia do europeu em relação ao indígena, e não em relação ao africano, o que dificultava enormemente o aproveitamento do indígena em qualquer atividade.


4. (UFC), as relações de produção escravista predominaram no Brasil, em especial nas áreas de plantation e de mineração. Sobre este sistema escravista é correto afirmar que:
a) impediu as negociações entre escravos e senhores, daí o grande número de fugas.
b) favoreceu ao longo dos anos a acumulação de capital em razão do tráfico negreiro.
c) possibilitou a cristianização dos escravos, fazendo desaparecer as culturas africanas.
d) foi combatido por inúmeras revoltas escravas, como a dos Malês e a do Contestado.
e) foi alimentado pelo fluxo contínuo de mão de obra africana até o momento de sua extinção em 1822.


5. (FAFI) Analisando as estruturas econômicas coloniais, o historiador Caio Prado Jr., assim se referiu ao tema da escravidão: “É aliás esta exigência da colonização que explica o renascimento, na civilização ocidental, da escravidão em declínio desde os fins do Império Romano e já quase extinta de todo neste século XVI em que se inicia aquela colonização”
A qual exigência da colonização o autor está se referindo?
a) Ao fato de o litoral brasileiro apresentar imenso potencial mineral e somente os escravos africanos terem a necessária técnica de extração.
b) À definição de uma colonização baseada na plantation, dentro dos padrões mercantilistas da época moderna.
c) À impossibilidade de se utilizar o trabalho escravo dos indígenas, visto que não se adaptaram de forma conveniente ao trabalho compulsório.
d) À especialidade própria das regiões americanas, que estavam a exigir a implantação de um amplo sistema de feitorias destinadas ao comércio dos produtos tropicais.


6. (CESGRANRIO) No Brasil, o quilombo foi uma das formas de resistência da população escrava. Sobre os quilombos no Brasil, é correto afirmar que o(a):
a) maior número de quilombos se concentrou na região nordeste do Brasil, em função da decadência da lavoura cafeeira, já que os fazendeiros, impossibilitados de sustentar os escravos, incentivavam-lhes a fuga.
b) maior dos quilombos brasileiros, Palmares, foi extinto a partir de um acordo entre Zumbi e o governador de Pernambuco, que se comprometeu a não punir os escravos que desejassem retornar às fazendas.
c) existência de poucos quilombos na região Norte pode ser explicada pela administração diferenciada, já que, no Estado do Grão-Pará e Maranhão, a Coroa Portuguesa havia proibido a escravidão negra.
d) quase inexistência de quilombos no Sul do Brasil se relaciona à pequena porcentagem de negros na região, o que também permitiu que lá não ocorressem questões ligadas à segregação racial.
e) população dos quilombos também era formada por indígenas ameaçados pelos europeus, brancos pobres e outros aventureiros e desertores, embora predominassem africanos e seus descendentes.


7. (FATEC) Em 4 de setembro de 1850, foi sancionada no Brasil a Lei Eusébio de Queirós (ministro da Justiça), que abolia o tráfico negreiro em nosso país. Em decorrência dessa lei, o governo imperial brasileiro aprovou outra, "a Lei de Terras".
Dentre as alternativas a seguir, assinale a correta.
a) A Lei de Terras facilitava a ocupação de propriedades pelos imigrantes que passaram a chegar ao Brasil.
b) A Lei de Terras dificultou a posse das terras pelos imigrantes, mas facilitou aos negros libertos o acesso a elas.
c) O governo imperial, temendo o controle das terras pelos coronéis, inspirou-se no "Act Homesteade" americano, para realizar uma distribuição de terras aos camponeses mais pobres. 
d) A Lei de Terras visava a aumentar o valor das terras e obrigar os imigrantes a vender sua força de trabalho para os cafeicultores.
e) O objetivo do governo imperial, com esta lei, era proteger e regularizar a situação das dezenas de quilombos que existiam no Brasil.


8. (ENEM) A escravidão não há de ser suprimida no Brasil por uma guerra servil, muito menos por insurreições ou atentados locais. Não deve sê-lo, tampouco, por uma guerra civil, como o foi nos Estados Unidos. Ela poderia desaparecer, talvez, depois de uma revolução, como aconteceu na França, sendo essa revolução obra exclusiva da população livre. É no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade.
NABUCO, J. O abolicionismo [1883]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Publifolha 2000 (adaptado).
No texto, Joaquim Nabuco defende um projeto político sobre como deveria ocorrer o fim da escravidão no Brasil, no qual
a) copiava o modelo haitiano de emancipação negra.
b) incentivava a conquista de alforrias por meio de ações judiciais.
c) optava pela via legalista de libertação.
d) priorizava a negociação em torno das indenizações aos senhores.
e) antecipava a libertação paternalista dos cativos.


9. (ENEM) Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz e em toda a sua paixão. A sua cruz foi composta de dois madeiros, e a vossa em um engenho é de três. Também ali não faltaram as canas, porque duas vezes entraram na Paixão: uma vez servindo para o cetro de escárnio, e outra vez para a esponja em que lhe deram o fel. A Paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência, também terá merecimento de martírio.
VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello & Irmão, 1951 (adaptado).
O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira estabelece uma relação entre a Paixão de Cristo e
a) a atividade dos comerciantes de açúcar nos portos brasileiros.
b) a função dos mestres de açúcar durante a safra de cana.
c) o sofrimento dos jesuítas na conversão dos ameríndios.
d) o papel dos senhores na administração dos engenhos.
e) o trabalho dos escravos na produção de açúcar.


10. (ENEM) Negro, filho de escrava e fidalgo português, o baiano Luiz Gama fez da lei e das letras suas armas na luta pela liberdade. Foi vendido ilegalmente como escravo pelo seu pai para cobrir dívidas de jogo. Sabendo ler e escrever, aos 18 anos de idade conseguiu provas de que havia nascido livre. Autodidata, advogado sem diploma, fez do direito o seu ofício e transformou-se, em pouco tempo, em proeminente advogado da causa abolicionista.
AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In: Revista de História. Ano 1, n.º 3. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado).
A conquista da liberdade pelos afro-brasileiros na segunda metade do séc. XIX foi resultado de importantes lutas sociais condicionadas historicamente. A biografia de Luiz Gama exemplifica
a) impossibilidade de ascensão social do negro forro em uma sociedade escravocrata, mesmo sendo alfabetizado.
b) extrema dificuldade de projeção dos intelectuais negros nesse contexto e a utilização do Direito como canal de luta pela liberdade.
c) rigidez de uma sociedade, assentada na escravidão, que inviabilizava os mecanismos de ascensão social.
d) possibilidade de ascensão social, viabilizada pelo apoio das elites dominantes, a um mestiço filho de pai português. 
e) troca de favores entre um representante negro e a elite agrária escravista que outorgara o direito advocatício ao mesmo.


11. (ENEM) A dependência regional maior ou menor da mão de obra escrava teve reflexos políticos importantes no encaminhamento da extinção da escravatura. Mas a possibilidade e a habilidade de lograr uma solução alternativa – caso típico de São Paulo – desempenharam, ao mesmo tempo, papel relevante.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2000.
A crise do escravismo expressava a difícil questão em torno da substituição da mão de obra, que resultou
a) na constituição de um mercado interno de mão de obra livre, constituído pelos libertos, uma vez que a maioria dos imigrantes se rebelou contra a superexploração do trabalho.
b) no confronto entre a aristocracia tradicional, que defendia a escravidão e os privilégios políticos, e os cafeicultores, que lutavam pela modernização econômica com a adoção do trabalho livre.
c) no “branqueamento” da população, para afastar o predomínio das raças consideradas inferiores e concretizar a ideia do Brasil como modelo de civilização dos trópicos.
d) no tráfico interprovincial dos escravos das áreas decadentes do Nordeste para o Vale do Paraíba, para a garantia da rentabilidade do café.
e) na adoção de formas disfarçadas de trabalho compulsório com emprego dos libertos nos cafezais paulistas, uma vez que os imigrantes foram trabalhar em outras regiões do país.


12. (ENEM) O abolicionista Joaquim Nabuco fez um resumo dos fatores que levaram à abolição da escravatura com as seguintes palavras: "Cinco ações ou concursos diferentes cooperaram para o resultado final: 1º) o espírito daqueles que criavam a opinião pela ideia, pela palavra, pelo sentimento, e que a faziam valer por meio do Parlamento, dos "meetings" [reuniões públicas], da imprensa, do ensino superior, do púlpito, dos tribunais; 2º) a ação coercitiva dos que se propunham a destruir materialmente o formidável aparelho da escravidão, arrebatando os escravos ao poder dos senhores; 3º) a ação complementar dos próprios proprietários, que, à medida que o movimento se precipitava, iam libertando em massa as suas 'fábricas'; 4º) a ação da política dos estadistas, representando as concessões do governo; 5º) a ação da família imperial."
Joaquim Nabuco. Minha formação. São Paulo: Martin Claret, 2005. p. 144 (com adaptações).
Nesse texto, Joaquim Nabuco afirma que a abolição da escravatura foi o resultado de uma luta
a) de ideias, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que libertavam seus escravos, de estadistas e da ação da família imperial.
b) de classes, associada a ações contra a organização escravista, que foi seguida pela ajuda de proprietários que substituíam os escravos por assalariados, o que provocou a adesão de estadistas e, posteriormente, ações republicanas.
c) partidária, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que mudavam seu foco de investimento e da ação da família imperial.
d) política, associada a ações contra a organização escravista, sabotada por proprietários que buscavam manter o escravismo, por estadistas e pela ação republicana contra a realeza.
e) religiosa, associada a ações contra a organização escravista, que fora apoiada por proprietários que haviam substituído os seus escravos por imigrantes, o que resultou na adesão de estadistas republicanos na luta contra a realeza.


13. (UNESP) Entre as formas de resistência negra à escravidão, durante o período colonial brasileiro, podemos citar
a) a organização de quilombos, nos quais, sob supervisão de autoridades brancas, os negros podiam viver livremente.
b) as sabotagens realizadas nas plantações de café, com a introdução de pragas oriundas da África.
c) a preservação de crenças e rituais religiosos de origem africana, que eram condenados pela Igreja Católica. 
d) as revoltas e fugas em massa dos engenhos, seguidas de embarques clandestinos em navios que rumavam para a África.
e) a adoção da fé católica pelos negros, que lhes proporcionava imediata alforria concedida pela Igreja.


14. (PUCPR) "O espelho da historiografia reflete imagens côncavas e convexas. A imagem real em frente do espelho, porém, parece revelar uma nação rude, dividida, de espírito escravista e anti-legalista, que relutou ao máximo antes de alterar sua ordem econômica e social baseada na exploração do trabalho escravo. Uma nação que, às 3h15 de uma tarde ensolarada de domingo, 13 de maio de 1888, não apenas não se livraria de seu passado conturbado como, ainda hoje, parece incapaz de lidar com ele." 
(Bueno, Eduardo. "Brasil: uma História".1. edi. São Paulo, Ática, 2005, p. 218.) 
Sobre a abolição da escravidão: 
I - Para historiadores com tendências monarquistas, a princesa Isabel foi a heroína que teve a coragem de abolir a escravidão, o que lhe causou a perda do trono. 
II - A radical e intensa pressão da Igreja durante quase todo o segundo reinado, foi uma das mais importantes forças a favor da libertação dos escravos. 
III - A Lei Rio Branco, também conhecida como "Lei dos Sexagenários", que libertava escravos maiores de 60 anos, na verdade beneficiava os proprietários, permitindo que se livrassem de escravos com idade avançada. 
IV - Por meio do Fundo de Emancipação, foram pagas indenizações apenas aos cafeicultores, após uma manobra política bem executada por deputados que representavam os proprietários de terras do oeste paulista. 
É correta ou são corretas: 
a) apenas I. 
b) I e III. 
c) I e IV. 
d) apenas III.
e) III e IV. 


15. (PUCRS) Responder à questão com base nas afirmativas abaixo, sobre o movimento abolicionista no Brasil, na segunda metade do século XIX. 
I. A campanha abolicionista reforçava-se pela pressão antiescravista internacional e pelo fato de o Brasil ser o último país independente a manter a escravidão após 1865. 
II. O movimento abolicionista tinha a participação de setores agrários não-vinculados à escravidão e das camadas médias urbanas: intelectuais, profissionais liberais e estudantes universitários. 
III. Importantes setores do abolicionismo viam a necessidade de serem criados meios de integração dos negros à sociedade na condição de trabalhadores assalariados após a abolição. 
Pela análise das afirmativas, conclui-se que 
a) apenas a I está correta. 
b) apenas a III está correta. 
c) apenas a I e a II estão corretas. 
d) apenas a II e a III estão corretas. 
e) a I, a II e a III estão corretas.




GABARITO