1. (Faap-1997) "Queria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois. Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá o título ao livro, e por que antes um que outro, - questão prenhe de questões, que nos levariam longe... Eia! chora os dous recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma cousa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens."
Machado de Assis
Machado de Assis filia-se (e o trecho é exemplo disso) ao estilo de época do:
a) arcadismo
b) romantismo
c) realismo
d) simbolismo
e) modernismo.
2. (ENEM-2001) No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o romantismo.
“Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.”
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson,1957.
A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao romantismo está transcrita na alternativa:
a) ... o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas ...
b) ... era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça ...
c) Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, ...
d) Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos ...
e) ... o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.
(UNIFESP-2007) Texto comum às questões: 3, 4, 5 e 6
O trecho do conto Uns braços, de Machado de Assis
Havia cinco semanas que ali morava, e a vida era sempre a mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor, aos escrivães, aos oficiais de justiça. (...) Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs; cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou outra vez na rua; em casa, nada.
“Deixe estar, — pensou ele um dia — fujo daqui e não volto mais.”
Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D. Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A educação que tivera não lhe permitira encará-los logo abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos, vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando e amando. No fim de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso.
Aguentava toda a trabalheira de fora, toda a melancolia da solidão e do silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver, três vezes por dia, o famoso par de braços.
Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez, desconfiou alguma cousa. Rejeitou a ideia logo, uma criança! Mas há ideais que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita? Esta outra ideia não foi rejeitada, antes afagada e beijada.
E recordou então os modos dele, os esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim.
3. Quando se diz, ao final do texto, que D. Severina concluiu que sim, significa que ela reconheceu que
a) deveria contar tudo a Borges.
b) Inácio era um desastrado, de fato.
c) estava enganada sobre o amor de Inácio.
d) Inácio deveria ser advertido.
e) Inácio começava a amá-la.
4. Ao conceber-se bonita, D. Severina entendeu que
a) era possível Inácio estar apaixonado por ela.
b) sua beleza não era para ser desfrutada por uma criança.
c) a traição a Borges seria um grande equívoco.
d) Inácio, de fato, desejava vingar-se de Borges.
e) o marido não a via assim, ao contrário de Inácio.
5. Analise as duas ocorrências:
... uma criança!
Criança?
Essas duas passagens mostram que
a) tanto os sentimentos de D. Severina como a sua razão mostravam-lhe que Inácio era ainda muito jovem para se dar às questões do amor.
b) havia duas vozes na consciência de D. Severina: uma lhe proibia o desejo; outra o mostrava como possibilidade.
c) D. Severina via Inácio como uma criança apenas, o que a perturbava muito, por sentir-se atraída por ele.
d) D. Severina rejeitava qualquer possibilidade de uma relação com Inácio, já que não nutria nenhum sentimento pelo rapaz.
e) havia um embate entre a consciência e a educação de D. Severina, o qual a impedia de aceitar o amor do rapaz.
6. De início, morar na casa de Borges era solitário e tedioso, o que levou Inácio a pensar em ir embora. Todavia, isso não aconteceu, sobretudo porque o rapaz
a) passou a ser mais bem tratado pelo casal após três semanas.
b) teve uma educação que não lhe permitiria tal rebeldia.
c) se pegou atraído por D. Severina, com o passar do tempo.
d) gostava, na realidade, do trabalho que realizava com Borges.
e) sentia que D. Severina se mostrava mais atenciosa com ele.
7. (UEMG-2007) Leia o fragmento da obra de Dom Casmurro, abaixo.
“Enfim chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desepero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas.”
A partir do trecho acima, e tendo em vista o enredo da obra, SÓ É CORRETO afirmar que
a) a cena descrita é tipicamente romântica, de acordo com o estilo da obra, que tematiza a felicidade amorosa de Bentinho e Capitu.
b) o instante focalizado enfatiza a extrema sensibilidade de Bento Santiago, diante do cadáver do amigo Escobar.
c) o momento descrito é crucial para o relacionamento de Bentinho e Capitu, pois, uma vez instaurada a dúvida na mente do marido, o casamento se deteriorará, encaminhando-se para a separação.
d) o trecho comprova que Sancha é uma personagem trágica, pois, após a morte dos filhos, ela perde o marido num naufrágio.
8. (UEMG-2007) Sobre o conteúdo e a estrutura do romance Dom Casmurro, todos os comentários das alternativas abaixo são coerentes e adequados, EXCETO:
a) Pela leitura da trama que orienta o enredo, o leitor é levado à conclusão de que o narrador-protagonista foi, de fato, traído pela sua amada, Capitu.
b) A reconstrução da casa no Engenho Novo para recuperação do espaço perdido em Mata- Cavalos não permite ao narrador a recuperação do seu passado.
c) O título do romance constitui uma referência irônica ao narrador e aponta o seu estado de conflito em relação ao passado.
d) A força da narrativa não se concentra no enredo, mas nas reflexões, digressões e na maneira ambivalente com que o narrador tenta reconstituir os fatos.
9. (UEMG-2007) Com relação às técnicas e estratégias narrativas adotadas na obra “DOM CASMURRO”
, SÓ NÃO é CORRETO afirmar que
a) o narrador estabelece diálogos com um suposto ‘leitor incluso’.
b) o texto apresenta relações intertextuais com a tradição filosófica, artística e literária.
c) a narrativa contém recursos metalinguísticos, sobretudo no diálogo narrador / leitor.
d) o memorialismo da narrativa é comprometido com a fidelidade dos fatos ocorridos.
10. (UEMG-2007) Assinale a alternativa em que se identificou CORRETAMENTE elementos estruturais do romance Dom Casmurro.
a) A obra apresenta um texto em terceira pessoa, em que o protagonista central, Bentinho, é abandonado por Capitu, em virtude dos ciúmes exagerados desta.
b) O narrador de primeira pessoa escreve o romance, buscando a ilusão de resgatar o seu passado através de sensações revivenciadas no presente, tentando explicar a sua “casmurrice” e, com ela, a sua própria vida.
c) O romance é narrado em primeira pessoa por D.Casmurro, que deseja registrar, memorialisticamente, o seu passado glorioso e cheio de atos dignos de serem revivenciados.
d) A narração do romance obedece ao único propósito de registrar os momentos felizes de Bentinho, vivenciados ao lado de Capitu, o que explica, em parte, a tendência do narrador pelas minúcias e pelo detalhismo.
11. (UFMG-2007) Com base na leitura de Quincas Borba, de Machado de Assis, é CORRETO afirmar que o narrador do romance
a) adere ao ponto de vista do filósofo, pois professa a teoria do Humanitismo.
b) apela à sentimentalidade do leitor no último capítulo, em que narra a morte de Rubião.
c) apresenta os acontecimentos na mesma ordem em que estes se deram no tempo.
d) narra a história em terceira pessoa, não participando das ações como personagem.
12. (PUC - SP-2007) No romance Dom Casmurro, o narrador declara: “O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência”. Entre as duas pontas, desenvolve-se o enredo da obra. Assim, indique abaixo a alternativa cujo conteúdo não condiz com o enredo machadiano.
a) A história envolve três personagens, Bentinho, Capitu e Escobar, e três projetos, todos cortados quando pareciam atingir a realização.
b) O enredo revela um romance da dúvida, da solidão e da incomunicabilidade, na busca do conhecimento da verdade interior de cada personagem.
c) A narrativa estrutura-se ao redor do sentimento de ciúme, numa linha de ascensão de construção de felicidade e de dispersão, com a felicidade destruída.
d) A narrativa se marca por digressões que chamam a atenção para a inevitabilidade do que vai narrar, como o que ocorre na analogia da vida com a ópera e em que o narrador afirma “cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um quattuor...”
e) O enredo envolve um triângulo amoroso após o casamento e todas as ações levam a crer na existência clara de um adultério.
13. (PUC - SP-2007) A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a tinha também.
Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã. O trecho acima, do romance Dom Casmurro de Machado de Assis, autoriza o narrador a caracterizar os olhos da personagem, do ponto de vista metafórico, como
a) olhos de viúva oblíqua e dissimulada, apaixonados pelo nadador da manhã.
b) olhos de ressaca, pela força que arrasta para dentro.
c) olhos de bacante fria, pela irrecusável sensualidade e sedução que provocam.
d) olhos de primavera, pela cor que emanam e doçura que exalam.
e) olhos oceânicos, pelo fluido misterioso e enérgico que envolvem.
14. (ESPM-2007) Assinale a opção que contenha trecho com a conhecida digressão metalinguística presente na obra de Machado de Assis:
a) Ora bem, faz hoje um ano que voltei definitivamente da Europa. O que me lembrou esta data foi, estando a beber café, o pregão de um vendedor de vassouras e espanadores: “Vai vassouras! vai espanadores!”.
b) Cuido haver dito, no capítulo XIV, que Marcela morria de amores pelo Xavier. Não morria, vivia. Viver não é a mesma cousa que morrer (...).
c) Rubião não sabia que dissesse; Sofia, passados os primeiros instantes, readquiriu a posse de si mesma; respondeu que, em verdade, a noite era linda (...).
d) Assim chorem por mim todos os olhos de amigos e amigas que deixo neste mundo, mas não é provável. Tenho-me feito esquecer.
e) Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros (...).
15. (PUC-SP-2006)
a) Gastei trinta dias para ir do Rocio Grande ao coração de Marcela...
b) Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos.
As duas citações acima integram o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, escrito por Machado de Assis. Delas pode inferir-se que
a) em ambas há igual manifestação da relação temporal e espacial.
b) apenas em uma há referência espacial geográfica e sentimental.
c) nenhuma apresenta discrepância semântica entre as relações espaciais.
d) ambas operam com a relação de tempo e de espaço.
e) nenhuma revela discrepância semântica entre as relações temporais.
16. (IBMEC-2006) Leia atentamente o fragmento abaixo e assinale a alternativa que apresenta o autor e a obra a que se refere.
“Livre das convenções sociais, pois está morto, o narrador fala não só de sua vida mas de todos os que com ele conviveram, revelando a hipocrisia das relações humanas. Ao longo da obra são narrados vários casos: sua paixão juvenil pela bela e interesseira Marcela, que o amou ‘durante quinze meses e onze contos de réis’; sua amizade com o filósofo maluco Quincas Borba; seus amores clandestinos com uma mulher casada, Virgília.”
a) Memórias póstumas de Brás Cubas — Machado de Assis.
b) Memórias póstumas de Brás Cubas — José de Alencar.
c) Memórias sentimentais de João Miramar — Oswald de Andrade.
d) Memórias de um sargento de milícias — Manuel Antonio de Almeida.
e) Memórias de sargento de milícias — Lima Barreto.
(FGV-2006) Texto comum às questões: 17, 18, 19 e 20
Leia o texto abaixo.
Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.
- Desta vez, disse ele, vais para a Europa; vais cursar uma universidade, provavelmente Coimbra; quero-te para homem sério e não para arruador e gatuno. E como eu fizesse um gesto de espanto:
- Gatuno, sim senhor. Não é outra coisa um filho que me faz isto...
Sacou da algibeira os meus títulos de dívida, já resgatados por ele, e sacudiu-mos na cara. - Vês, peralta? É assim que um moço deve zelar o nome dos seus? Pensas que eu e meus avós ganhamos o dinheiro em casas de jogo ou a vadiar pelas ruas? Pelintra! Desta vez ou tomas juízo, ou ficas sem coisa nenhuma.
Machado de Assis
17. Principalmente a partir da publicação dessa obra, duas características passam a ser reconhecidas no estilo de seu autor. Assinale a alternativa que as contém.
a) Ambiguidade e delicadeza na descrição dos caracteres.
b) Humor escancarado e crítica à família tradicional brasileira.
c) Ironia e análise da condição humana.
d) Crítica ao comportamento do indivíduo como sujeito e não como objeto da sociedade.
e) Análise da alma do indivíduo, desconsiderando a sociedade.
18. Segundo muitos autores, a obra de que foi retirado esse excerto é considerada marca, no Brasil:
a) Do início do Romantismo.
b) Da base em que se apoiou o desenvolvimento do estilo romântico.
c) De reminiscências do estilo barroco.
d) Da fonte em que iriam beber os participantes da Semana de 22.
e) Do início do Realismo.
19. O principal efeito artístico encontrado na primeira frase do excerto pode ser comparado, mais propriamente, ao que aparece na frase:
a) Lançou ao mar o tridente e a âncora.
b) Emitiu algumas palavras e outras sonoridades estranhas.
c) Pediu um refrigerante e o almoço.
d) Trabalhou o barro e o ferro.
e) Comeu toda a macarronada e minha paciência.
20. A primeira frase desse excerto tornou-se uma das mais conhecidas pelos leitores da obra machadiana. A julgar por essa afirmação e pela personagem mencionada, podemos reconhecer ali parte do romance denominado:
a) Memorial de Aires.
b) Dom Casmurro.
c) Helena.
d) Memórias Póstumas de Brás Cubas.
e) A Mão e a Luva.
21. (ITA-2005) Em 1891, Machado de Assis publicou o romance Quincas Borba, no qual um dos temas centrais do Realismo, o triângulo amoroso (formado, a princípio, pelos personagens Palha-Sofia-Rubião), cede lugar a uma equação dramática mais complexa e com diversos desdobramentos. Isso se explica porque
a) o que levava Sofia a trair Palha era apenas o interesse na fortuna de Rubião, pois ela amava muito o marido.
b) Palha sabia que Sofia era amante de Rubião, mas fingia não saber, pois dependia financeiramente dele.
c) Sofia não era amante de Rubião, como pensava seu marido, mas sim de Carlos Maria, de quem Palha não tinha suspeita alguma.
d) Sofia não era amante de Rubião, mas se interessou por Carlos Maria, casado com uma prima de Sofia, e este por Sofia.
e) Sofia não se envolvia efetivamente com Rubião, pois se sentia atraída por Carlos Maria, que a seduziu e depois a rejeitou.
22. (PUC-SP-2005) Entre as narrativas que compõem as Várias Histórias, escritas por Machado de Assis, destaca-se “Trio em Lá Menor”. Sobre ela, é possível afirmar que
a) é construída a partir de andamentos musicais que indiciam os diferentes momentos da ação narrada.
b) se utiliza do minueto para caracterizar fortemente o desfecho trágico da história.
c) emprega o allegro appassionato como definidor da escolha amorosa e consequente casamento da personagem.
d) se vale do adagio cantabile como recurso para caracterizar a personagem como mulher convicta de suas pretensões amorosas.
e) indicia, a partir do “lá menor” do título, uma narrativa festiva e triunfante.
23. (PUC-SP-2005) Entre as narrativas que compõem as Várias Histórias, escritas por Machado de Assis, destaca-se “Trio em Lá Menor”. Indique a alternativa que confirma o tema da narrativa referida.
a) A arte da adivinhação da história do homem e a ação do destino.
b) Indecisão e insegurança de uma moça que pende amorosamente entre dois homens ao mesmo tempo.
c) Sexualidade adolescente despertada pelo feminino das formas.
d) Frustração de um compositor de polcas, insatisfeito com as próprias composições.
e) História de um professor de melancolia que se sente agulha para muita linha ordinária.
24. (Fuvest-2005) “Assim, pois, o sacristão da Sé, um dia, ajudando à missa, viu entrar a dama, que devia ser sua colaboradora na vida de Dona Plácida. Viu-a outros dias, durante semanas inteiras, gostou, disse-lhe alguma graça, pisou--lhe o pé, ao acender os altares, nos dias de festa. Ela gostou dele, acercaram-se, amaram-se. Dessa conjunção de luxúrias vadias brotou Dona Plácida. É de crer que Dona Plácida não falasse ainda quando nasceu, mas se falasse podia dizer aos autores de seus dias: - Aqui estou. Para que me chamastes? E o sacristão e a sacristã naturalmente lhe responderiam: - Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado para outro, na faina, adoecendo e sarando, com o fim de tornar a adoecer e sarar outra vez, triste agora, logo desesperada, amanhã resignada, mas sempre com as mãos no tacho e os olhos na costura, até acabar um dia na lama ou no hospital; foi para isso que te chamamos, num momento de simpatia”.
(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)
Tal como narradas neste trecho, as circunstâncias que levam ao nascimento de Dona Plácida apresentam semelhança maior com as que conduzem ao nascimento da personagem
a) Leonardo (filho), de Memórias de um sargento de milícias.
b) Juliana, de O primo Basílio.
c) Macunaíma, de Macunaíma.
d) Augusto Matraga, de Sagarana.
e) Olímpico, de A hora da estrela.
25. (PUC-SP-2003) No conto “Um homem célebre”, da obra Várias Histórias, de Machado de Assis, há uma profunda investigação da alma humana que pode ser resumida na afirmação do narrador de que “o primeiro lugar na aldeia não contentava a este César, que continuava a preferir-lhe, não o segundo, mas o centésimo em Roma”. Isso se justifica porque
a) Romão Pires, exímio regente de orquestra, busca aquilo que não consegue alcançar.
b) Pestana, exímio em sua atividade de compositor de polcas, não se satisfaz com a perfeição que atinge.
c) Fortunato, dono de uma Casa de Saúde, diante da dor alheia sente um enorme prazer e a saboreia deliciosamente.
d) Vilela, afamado advogado e marido de Rita, mata a mulher e o amante, acometido de indignação e furor.
e) Inácio, jovem aprendiz de escritório, refugia-se no sonho/realidade, envolvido pelo objeto de sua
obsessão amorosa.
GABARITO
1. (UEL-1995) É correto afirmar sobre Machado de Assis:
I. Foi sobretudo pela imaginação de suas narrativas, mais do que pelo estilo ou senso de realismo, que se notabilizou como nosso maior ficcionista do século XIX.
II. Seus primeiros romances consagraram-no como um grande prosador realista, mas a partir de MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS sua obra tomou o rumo inesperado da ficção fantástica.
III. Seus contos, sobretudo a partir de PAPÉIS AVULSOS, são obras-primas de análise psicológica, alegorizacão social e interpretação das fraquezas humanas.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas a afirmação II é verdadeira.
b) Apenas a afirmação III é verdadeira.
c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
d) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras.
e) As afirmações I, II e III são verdadeiras.
2. (Fuvest-1997) Com essa história enjoada de traiu ou não traiu, de Capitu ser anjo ou demônio, o leitor de Dom Casmurro acaba se esquecendo do fundamental: as memórias são do velho narrador, não da mulher, e o autor é Machado de Assis, e não um escritor romântico dividido entre mistérios. Aceitas as observações anteriores, o leitor de Dom Casmurro deverá
a) identificar o ponto de vista de Capitu, considerando ainda o universo próprio da ficção naturalista.
b) reconhecer os limites do tipo de narrador adotado, subordinando-o ao peculiar universo de valores do autor.
c) aceitar os juízos do velho narrador, por meio de quem se representa a índole confessional de Machado de Assis.
d) rejeitar as acusações do jovem Bentinho, preferindo-lhes a relativização promovida pelo velho narrador.
e) relativizar o ponto de vista da narração, cuja ambiguidade se deve à personalidade oblíqua de Capitu.
3. (Faap-1996) OLHOS DE RESSACA
Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momentos houve que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.
Machado de Assis
Texto extraído do romance:
a) "Memórias Póstumas de Brás Cubas"
b) "Dom Casmurro"
c) "Quincas Borba"
d) "Esaú e Jacó"
e) "Memorial de Aires"
4. (Mack-2002) ...isto de método, sendo, como é, uma cousa indispensável, todavia é melhor tê-lo sem gravata nem suspensórios, mas um pouco à fresca e à solta (…) É como a eloquência, que há uma genuína e vibrante, de uma arte natural e feiticeira, e outra tesa, engomada e chocha.
Machado de Assis - Memórias póstumas de Brás Cubas
Assinale a afirmação correta sobre a passagem acima transcrita.
a) Apresenta episódios entrelaçados segundo relações de causa e efeito, constituindo, portanto, exemplo de linguagem narrativa.
b) Constitui fragmento dissertativo, pois o emissor argumenta para defender um certo ponto de vista.
c) Exibe traços de subjetividade, pois o emissor expressa seu estado de espírito diante de um fato que o emocionou.
d) Expõe uma teoria mediante discurso tipicamente científico e apresenta fatos da experiência que a comprovam.
e) É exemplo de discurso didático em que o leitor, explicitamente referido, é chamado a opinar.
5. (UFRN-2002) Sobre os contos de Várias Histórias, de Machado de Assis, é correto afirmar que:
a) pertencem à fase romântica do escritor.
b) caracterizam o universo regionalista.
c) fixam situações específicas da sociedade brasileira da época.
d) recuperam, pela ficção, aspectos autobiográficos da infância do autor.
6. (Mack-1998) Sobre Machado de Assis, é INCORRETO afirmar que:
a) Em sua extensa obra, ainda se podem encontrar peças de teatro, crônicas e ensaios.
b) Seus primeiros romances como Ressurreição e Iaiá Garcia apresentam traços ainda ligados ao Romantismo.
c) Sua poesia apresenta, muitas vezes, características próprias do Parnasianismo como a busca da perfeição formal e um vocabulário elevado.
d) Nos contos, não se percebem elementos que o consagraram nos romances, evidenciando as características que o diferenciam na literatura brasileira.
e) Os romances de sua Segunda fase tornam-se totalmente realistas, evidenciando as características que o diferenciam na literatura brasileira.
7. (UFSE-1997) A originalidade do ponto de vista do narrador de MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS permitiu que Machado de Assis escrevesse um romance.
a) de caráter fantástico, no qual pôde desenvolver sua aptidão para a literatura com fundamentos surrealistas.
b) essencialmente irônico, ao mesmo tempo em que dotava o narrador de uma distância crítica incontestável.
c) em terceira pessoa, contrariando a índole confessional que marcara toda a sua ficção anterior.
d) realista, a partir de um narrador que tudo observara e documentara em páginas só publicáveis depois de sua morte.
e) satírico-histórico, cujo argumento remontava ao tempo das capitanias hereditárias, no Brasil colonial.
8. (FEI-1995) Leia com atenção:
"Em seu último romance, Machado de Assis revela-nos uma outra face. O romancista espiritualiza-se, afastando-se da análise das desgraças humanas. Sensíveis mutações ocorrem, então, em seu espírito, refletindo desprendimento e abnegação. Reconhece-se no casal Aguiar e D.Carmo o próprio romancista e D.Carolina, acentuando a coincidência das iniciais: Aguiar e Assis, Carmo e Carolina, além dos traços autobiográficos na descrição do casal harmônico".
Trata-se do romance:
a) "Quincas Borba"
b) "Esaú e Jacó"
c) "Ressurreição"
d) "D.Casmurro"
e) "Memorial de Aires"
9. (Faap-1997) "Queria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois. Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá o título ao livro, e por que antes um que outro, - questão prenhe de questões, que nos levariam longe... Eia! chora os dous recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma cousa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens."
Machado de Assis
Machado de Assis ficou célebre pelo romance:
a) paisagista.
b) de fuga - evasão.
c) psicológico.
d) histórico.
e) medieval.
10. (Mack-2002) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o estilo de Machado de Assis.
a) Sua linguagem irônica e sarcástica está relacionada à quebra de valores absolutos.
b) A linguagem metafórica, usada com frequência, concretiza conceitos e juízos de valor.
c) Realizou rupturas na organização linear do texto narrativo, impondo outra lógica à sequência de capítulos.
d) Utilizou-se com frequência da metalinguagem, fazendo referências ao próprio ato de narrar.
e) A ruptura com a tradição literária deu origem a um estilo irreverente, afastado da norma culta.
11. (Fuvest-2000) Óbito do autor
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.
(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo primeiro)
Considerando-se este fragmento no contexto da obra a que pertence, é correto afirmar que, nele,
a) o discurso argumentativo, de tipo racional e lógico, apresenta afirmações que ultrapassam a razão e o senso comum.
b) a combinação de hesitações e autocrítica já caracteriza o tom de arrependimento com que o defunto autor relatará sua vida improdutiva.
c) as hesitações e dúvidas revelam a presença de um narrador inseguro, que teme assumir a condução da narrativa e a autoridade sobre os fatos narrados.
d) as preocupações com questões de método e as reflexões de ordem moral mostram um narrador alheio às meras questões literárias, tais como estilo e originalidade.
e) as considerações sobre o método e sobre a lógica da narração configuram o modo característico de se iniciar o romance no Realismo.
12. (PUC-SP-2001) O conto “A Cartomante” integra a obra Várias Histórias de Machado de Assis. Dele é incorreto afirmar que
a) se desenvolve a partir da afirmação de Horácio de que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia.
b) apresenta um triângulo amoroso no qual Rita, casada com Vilela, o atrai com o amigo Camilo.
c) caracteriza a personagem feminina como uma dama formosa e tonta e mostra-a insinuante como uma serpente.
d) apresenta um final feliz já que a previsão da cartomante sobre o amor dos dois realiza-se plenamente.
e) se trata de uma narrativa tradicional com estrutura bem definida, conduzindo a história para um clímax inesperado, o chamado elemento surpresa.
13. (Mack-2001)
I
A lição é que não peçais nunca dinheiro grosso aos deuses, senão com a cláusula expressa de saber que é dinheiro grosso. Sem ela, os bens são menos que as flores de um dia. Tudo vale pela consciência. (...) Passai das riquezas materiais às intelectuais: é a mesma cousa. Se o mestre-escola da tua rua imaginar que não sabe vernáculo nem latim, em vão lhe provarás que ele escreve como Vieira ou Cícero, ele perderá as noites e os sonos em cima dos livros, comerá as unhas em vez de pão, encanecerá ou encalvecerá, e morrerá crendo que mal distingue o verbo do advérbio.
Machado de Assis
II
Poucos dias depois morreu... Não morreu súdito nem vencido. Antes de principiar a agonia, que foi curta, pôs a coroa na cabeça, - uma coroa que não era, ao menos, um chapéu velho ou uma bacia, onde os espectadores palpassem a ilusão. Não, senhor; ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada; só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas. O esforço que fizera para erguer meio corpo não durou muito; o corpo caiu outra vez; o rosto conservou porventura uma expressão gloriosa.
- Guardem a minha coroa, murmurou. Ao vencedor...
A cara ficou séria, porque a morte é séria; dous minutos de agonia, um trejeito horrível, e estava assinada a abdicação.
Machado de Assis
Assinale a alternativa correta sobre o texto II.
a) Pertence a Quincas Borba, romance que, por meio da história de Rubião, apresenta uma triste visão da condição humana.
b) A frase final do personagem é Ao vencedor, a coroa!, que adquire, no contexto da obra, um sentido trágico.
c) É parte do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, que exemplifica a visão benevolente de Machado de Assis sobre a sociedade carioca do século XIX.
d) Corresponde ao capítulo final de D. Casmurro, obra que introduziu o estilo realista no Brasil.
e) Narrado em primeira pessoa, pertence a romance memorialista cujo protagonista defende princípios do Humanitismo.
14. (Mack-2001) A enferma era uma senhora viúva, tísica, tinha uma filha de quinze ou de dezesseis anos, que estava chorando à porta do quarto. A moça não era formosa, talvez nem tivesse graça; os cabelos caíam-lhe despenteados, e as lágrimas faziam-lhe encarquilhar os olhos. Não obstante, o total falava e cativava o coração. O vigário confessou a doente, deu-lhe a comunhão e os santos óleos. O pranto da moça redobrou tanto que senti os meus olhos molhados e fugi. Vim para perto de uma janela. Pobre criatura! A dor era comunicativa em si mesma; complicada da lembrança de minha mãe, doeu-me mais, e, quando enfim pensei em Capitu, senti um ímpeto de soluçar também (…)
A imagem de Capitu ia comigo, e a minha imaginação, assim como lhe atribuíra lágrimas, há pouco, assim lhe encheu a boca de riso agora; (…) As tochas acesas, tão lúgubres na ocasião, tinham-me ares de um lustre nupcial … Que era lustre nupcial? Não sei; era alguma coisa contrária à morte, e não vejo outra mais que bodas.
Considere as afirmações.
I -Na descrição da filha da viúva (segundo período), o narrador-personagem apresenta uma atitude romântica.
II - No fato narrado, o protagonista sobrepõe o mundo imaginário às circunstâncias objetivas da realidade circundante.
III - O texto foi extraído de romance brasileiro da primeira metade do século XIX.
Assinale:
a) se todas estiverem corretas.
b) se apenas II estiver correta.
c) se apenas II e III estiverem corretas.
d) se apenas I e III estiverem corretas.
e) se todas estiverem incorretas.
15. (ITA-2001) Podemos afirmar que na obra D. Casmurro, Machado de Assis
a) defende a tese de que o meio determina o homem porque descreve a personagem Capitu desde o início como uma futura adúltera.
b) defende a tese determinista porque o meio em que Bentinho e Capitu vivem determina a futura tragédia.
c) não defende a tese determinista, apontando antagonismo entre o meio e a tragédia final.
d) defende a tese determinista ao demonstrar a influência da educação religiosa na formação de Capitu.
e) não defende a tese determinista de modo explícito porque não fica clara a relação entre o meio e o fim trágico dos personagens.
16. (Mack-2002) Assinale a alternativa correta sobre Machado de Assis.
a) Embora tenha sido um dos maiores escritores brasileiros do século XIX, não conseguiu em vida o reconhecimento de sua obra.
b) Uma de suas linhas temáticas está presente na valorização do comportamento do homem burguês.
c) Introduziu o Realismo no Brasil em 1881, mas enveredou para o estilo naturalista ao tematizar aspectos patológicos do comportamento.
d) Uma das marcas de seu estilo é a linguagem crítica, que se apresenta de maneira direta e seca.
e) Vivendo num período de culto ao cientificismo, questionou lucidamente o valor absoluto das verdades científicas.
17. (Fac. Direito de Sorocaba SP/2016) O trecho a seguir foi extraído de O Alienista, de Machado de Assis.
Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no estudo e na prática da medicina. Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção, — o recanto psíquico, o exame da patologia cerebral. Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência lusitana, e particularmente a brasileira, podia cobrir-se de “louros imarcescíveis”, — expressão usada por ele mesmo, mas em um arroubo de intimidade doméstica; exteriormente era modesto, segundo convém aos sabedores.
A respeito da obra O Alienista, é correto afirmar que se trata de obra de
a) crítica ao cientificismo do século XIX, visto com poderes para interferir na sociedade.
b) teor filosófico, na qual o narrador desenvolve conceitos sobre as correntes da filosofia.
c) finalidade moralista, escrita com o intuito de criar personagens modelares de conduta.
d) cunho espiritualista na qual as personagens se ocupam de questões transcendentais.
e) influência religiosa, na qual Simão Bacamarte constrói um centro de recuperação de pessoas carentes.
18. (UNIRG TO/2016) A respeito da obra de Machado de Assis, assinale a alternativa incorreta.
a) Descreve a realidade com forte conteúdo otimista.
b) O narrador conversa com o leitor e analisa a própria narrativa.
c) Usa o humor frequentemente para criticar o ser humano e suas fraquezas.
d) Preocupa-se mais com a análise das personagens do que com a ação.
19. (Fac. Direito de Franca SP/2016) As mulheres na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, não aparecem sob a forma idealizada, castas e ingênuas, mas muitas vezes, ambiciosas, sedutoras, adúlteras e até mesmo torpes. Sarcasticamente são caracterizadas pelo narrador, com representações florais, que, em alguns casos, mais ofendem que exaltam. Assim, identifique, abaixo, as correspondências que não se comprovam.
a) Venância, o lírio do vale, era filha do Cotrim e sobrinha de Brás Cubas, e o designativo de seu nome remete à flor das damas de seu tempo.
b) Marcela, a flor das graças, pela beleza e sedução com que envolveu o narrador e pela paixão verdadeiramente sempre devotada a ele.
c) Eulália, Nhã-Loló, a flor do pântano, assim referida pelo ambiente social em que vivia, de família pobre e de costumes e afinidades sociais duvidosos, cujo pai era viciado em brigas de galo.
d) Eugênia, a flor da moita, cujo apelido se deve ao fato de ser filha espúria, concebida em situação clandestina, a partir de um beijo furtivo entre D. Eusébia e Dr. Vilaça.
20. (Centro Universitário de Franca SP/2016) Leia o trecho inicial do conto “A chave”, de Machado de Assis.
Não sei se lhes diga simplesmente que era de madrugada, ou se comece num tom mais poético: a aurora, com seus róseos dedos… A maneira simples é o que melhor me conviria a mim, ao leitor, aos banhistas que estão agora na Praia do Flamengo, – agora, isto é, no dia 7 de outubro de 1861, que é quando tem princípio este caso que lhes vou contar. Convinha-nos isto; mas há lá um certo velho, que me não leria, se eu me limitasse a dizer que vinha nascendo a madrugada, um velho que… Digamos quem era o velho.
Imaginem os leitores um sujeito gordo, não muito gordo, – calvo, de óculos, tranquilo, tardo, meditativo. Tem sessenta anos: nasceu com o século. Traja asseadamente um vestuário da manhã; vê-se que é abastado ou exerce algum alto emprego na administração. Saúde de ferro. Disse já que era calvo; equivale a dizer que não usava cabeleira. Incidente sem valor, observará a leitora, que tem pressa. Ao que lhe replico que o incidente é grave, muito grave, extraordinariamente grave. A cabeleira devia ser o natural apêndice da cabeça do Major Caldas, porque cabeleira traz ele no espírito, que também é calvo.
Calvo é o espírito. O Major Caldas cultivou as letras, desde 1821 até 1840 com um ardor verdadeiramente deplorável. Era poeta; compunha versos com presteza, retumbantes, cheios de adjetivos, cada qual mais calvo do que ele tinha de ficar em 1861.
(Obra completa, vol. 2, 1992.)
Uma característica recorrente na obra de Machado de Assis, presente nesse trecho, é:
a) a situação da narrativa em um cenário fantástico, que não encontra paralelo com a realidade factual, como se observa em: “banhistas que estão agora na Praia do Flamengo” (1° parágrafo).
b) o emprego de uma linguagem grandiloquente, com a descrição exagerada do cenário, como se observa em: “vinha nascendo a madrugada” (1° parágrafo).
c) a conversa com os leitores como parte da construção da narrativa, como se observa em: “Incidente sem valor, observará a leitora, que tem pressa” (2° parágrafo).
d) o uso de um narrador em terceira pessoa, que não se mostra no texto, como se observa em: “Não sei se lhes diga simplesmente que era de madrugada” (1° parágrafo).
e) a preferência por representar personagens do povo, pertencentes à classe social menos privilegiada, como se observa em: “vê-se que é abastado” (2° parágrafo).
21. (PUC RS/2017) Leia a passagem a seguir, retirada de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
“– “Morto! morto!” dizia consigo.
E a imaginação dela, como as cegonhas que um ilustre viajante viu desferirem o voo desde o Ilisso às ribas africanas, sem embargo das ruínas e dos tempos, – a imaginação dessa senhora também voou por sobre os destroços presentes até às ribas de uma África juvenil… Deixá-la ir; lá iremos mais tarde; lá iremos quando eu me restituir aos primeiros anos. Agora, quero morrer tranquilamente, metodicamente, ouvindo os soluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva que tamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e o som estrídulo de uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à porta de um correeiro. Juro-lhes que essa orquestra da morte foi muito menos triste do que podia parecer. De certo ponto em diante chegou a ser deliciosa. A vida estrebuchava-me no peito, com uns ímpetos de vaga marinha, esvaía-se-me a consciência, eu descia à imobilidade física e moral, e o corpo fazia-se-me planta, e pedra e lodo, e coisa nenhuma.
Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.”
Com base na obra de Machado de Assis, preencha os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).
(__) Tanto Dom Casmurro quanto Memórias Póstumas de Brás Cubas têm em comum o fato de serem livros narrados em primeira pessoa. Além disso, ambos os personagens pertencem à elite carioca do século XIX.
(__) O livro Memórias Póstumas de Brás Cubas encerra-se com um capítulo todo feito de negativas, no qual o narrador enumera uma série de faltas de que sofreu em vida, entre elas o fato de não ter tido filhos e, assim, não ter transmitido a ninguém a herança de nossa miséria.
(__) Há um consenso entre os críticos quanto a Dom Casmurro ser um romance baseado nas memórias sinceras de um homem traído.
(__) Machado atuou em diversas áreas das Letras brasileiras. O autor escreveu romances, contos, crítica literária; porém, deixou de lado o teatro e a poesia.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) F – F – V – V
b) F – V – V – F
c) V – V – F – F
d) V – V – V – F
e) V – F – F – V
22. (ACAFE SC/2017) Em relação à obra Esaú e Jacó, de Machado de Assis, marque com V as citações verdadeiras e com F as falsas.
(__) Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”.
(__) ‘Confeitaria do Custódio’. Muita gente certamente lhe não conhecia a casa por outra designação. Um nome, o próprio nome do dono, não tinha significação política ou figuração histórica, ódio nem amor, nada que chamasse a atenção dos dois regimes, e conseguintemente que pusesse em perigo os seus pastéis de Santa Clara, menos ainda a vida do proprietário e dos empregados. Por que é que não adotava esse alvitre? Gastava alguma coisa com a troca de uma palavra por outra, Custódio em vez de Império, mas as revoluções trazem sempre despesas.
(__) Aires quis aquietar-lhe o coração. Nada se mudaria; o regime, sim, era possível, mas também se muda de roupa sem trocar de pele. Comércio é preciso. Os bancos são indispensáveis. No sábado, ou quando muito na segunda-feira, tudo voltaria ao que era na véspera, menos a constituição.
(__) Entre a morte de Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei.
A sequência correta é:
a) V - F - F - V
b) V - F - V - F
c) F - V - V - F
d) F - V - F - V
23. (PUC-PR) Com base na leitura de Dom Casmurro, e considerando a importância de Machado de Assis para a literatura brasileira, identifique as alternativas como VERDADEIRAS ou FALSAS:
(__) Escrito quando o Realismo era a estética dominante, Dom Casmurro é antes um “romance filosófico” que um “romance social”.
(__) Ao contrário de diversas heroínas românticas, punidas com a morte por comportamentos inadequados para os padrões de sua época, a principal personagem feminina de Dom Casmurro não morre no final da narrativa.
(__) Ainda que acreditasse não ser pai de Ezequiel, Bento Santiago não deixou que isso interferisse na relação pai-filho, e sempre quis ter o rapaz muito perto de si.
(__) Assim como em Esaú e Jacó, a presença do Imperador e as referências à vida política brasileira são constantes em Dom Casmurro e interferem nos acontecimentos narrados.
A sequência correta é:
a) V, F, F, F
b) F, F, F, V
c) F, V, F, V
d) V, V, V, F
e) F, V, F, F
24. (UFU-MG) Considere a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, e as afirmativas que se seguem:
I. Da Glória tentava impedir o casamento de Bentinho com Capitu, pois desejava que ele se unisse a Sancha.
II. Bento Santiago não teve problemas em homenagear o amigo Escobar, por ocasião de seu enterro, pois era seu melhor amigo.
III. A cena descrita no velório de Escobar (homens e mulheres chorando) é uma característica do Romantismo presente em todo o Dom Casmurro — obra que tem como tema os infelizes amores de Bentinho e Capitu.
IV. “Olhos de ressaca” — referência dada a Capitu — evidencia o seu poder de envolvimento e o grande fascínio que ela exerce sobre Bentinho, tal qual as vagas do mar.
V. Apesar da suspeita de adultério, o amor consegue superar a desconfiança fazendo com que Bentinho se reconcilie com a família de Capitu.
Assinale:
a) Se apenas IV é correta.
b) Se apenas I, II são corretas.
c) Se apenas III e V são corretas.
d) Se apenas V é correta.
e) Nenhuma delas é correta.
25. (PUCCAMP-SP) O trecho abaixo é parte do último capítulo de Dom Casmurro, de Machado de Assis:
O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Mata-cavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. I: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.
Invocando aqui a memória e o testemunho do leitor de sua história, o narrador arremata a narrativa:
a) lembrando que os ciúmes de Bentinho por Capitu poderiam perfeitamente ser injustificáveis.
b) concluindo que a única explicação para a traição de Capitu é a força caprichosa de circunstâncias acidentais.
c) citando uma passagem da Bíblia, à luz da qual acaba admitindo a possibilidade da inocência de Capitu.
d) pretendendo que a personalidade de Capitu tenha se desenvolvido de modo a cumprir uma natural inclinação.
e) se mostra reticente quanto à convicção de que fora traído, sugerindo que continuará ponderando os fatos.
GABARITO

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