| O Lago Hillier , na Ilha Middle |
O Mistério Cor-de-Rosa: Por que o Lago Hillier parece um chiclete
gigante?
Sobrevoando o arquipélago de
Recherche, na Austrália Ocidental, uma visão desafia a lógica das cores da
natureza. Em meio ao azul profundo do oceano e o verde escuro da vegetação da
Middle Island, destaca-se uma mancha vibrante e opaca de rosa chiclete: o Lago
Hillier.
Diferente de outros lagos
cor-de-rosa ao redor do mundo, que podem mudar de cor dependendo da estação ou
da luz do sol, o Hillier mantém sua tonalidade o ano todo. Mais intrigante
ainda: se você pegar um copo dessa água, ela permanecerá rosa dentro do
recipiente.
Durante anos, a causa exata
dessa coloração foi debatida. Hoje, graças a avanços na análise de DNA, a
ciência tem uma resposta sólida — e ela é microscópica.
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| Localização do Lago Hillier |
Um Coquetel Microbiológico Extremo
O segredo do Lago Hillier
não é um corante químico derramado, mas sim uma biologia fascinante adaptada a
condições extremas. O lago é hipersalino, contendo níveis de sal
comparáveis aos do Mar Morto. Pouquíssimos organismos conseguem sobreviver
nesse ambiente, mas os que conseguem, prosperam de forma espetacular.
A cor rosa é resultado de um
"trabalho em equipe" entre diferentes tipos de microrganismos amantes
do sal (halófilos):
1. As Algas
(O suspeito clássico): Durante muito tempo,
pensou-se que a única responsável era a microalga Dunaliella salina.
Para sobreviver ao sol intenso e à salinidade extrema, essa alga produz enormes
quantidades de beta-caroteno — o mesmo pigmento laranja-avermelhado
encontrado em cenouras e abóboras. Em grandes concentrações, essas algas tingem
a água.
2. As
Bactérias (Os verdadeiros protagonistas): Pesquisas
mais recentes, como as conduzidas pelo eXtreme Microbiome Project (XMP),
revelaram que a história é mais complexa. Análises genéticas da água do Hillier
mostraram que, embora as algas estejam presentes, a maior parte da biomassa
rosa do lago é composta por bactérias e arqueias (um outro domínio da vida
microscópica).
O principal culpado parece
ser uma bactéria chamada Salinibacter ruber. Estas bactérias são
vermelhas e prosperam em ambientes onde o sal mataria quase tudo o resto. A
combinação do vermelho intenso dessas bactérias com o laranja das algas resulta
na cor rosa vibrante que vemos.
É perigoso?
Apesar da cor artificial, a
água do Lago Hillier não é tóxica. Nadar lá (embora raramente permitido por
razões de conservação ambiental) seria semelhante a flutuar no Mar Morto:
extremamente fácil devido à densidade do sal, mas muito desagradável se você
tiver algum corte na pele ou se a água entrar nos olhos.
Conclusão
O Lago Hillier é um lembrete
visual deslumbrante de que a vida na Terra pode se adaptar aos ambientes mais
hostis. O que parece uma anomalia química vista do céu é, na verdade, uma
metrópole próspera de trilhões de microrganismos especializados, cuja
estratégia de sobrevivência criou uma das maravilhas naturais mais fotogênicas
do planeta.
Referências e Leitura Recomendada
1. eXtreme Microbiome Project (XMP). Pesquisas
focadas na análise de microbiomas em ambientes extremos ao redor do mundo.
2. Tourism Australia (Site Oficial). Guide
to Australia's Pink Lakes. Disponível em: australia.com. (Fonte para
contexto geográfico e turístico).
3. Oren, A. (2010). Industrial and environmental
applications of halophilic microorganisms. Environmental Technology.
(Artigo científico que detalha o papel de organismos como Salinibacter e
Dunaliella em ambientes hipersalinos).
4. Australian Geographic. Why is
Lake Hillier pink? (Fonte de divulgação científica confiável na Austrália).

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